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A arte de falar de coisas que não existem

A 31ª edição da Bienal de São Paulo convida à reflexão das experiências cotidianas, das coisas que não existem e que se tornam tangíveis
| Por: Redação

O título da 31ª Bienal de São Paulo - Como falar de coisas que não existem - é uma invocação poética do potencial da arte e de sua capacidade de agir e intervir em locais e comunidades onde ela se manifesta. O olhar dos curadores Charles Esche, Galit Eilat, Nuria Enguita Mayo, Pablo Lafuente e Oren Sagiv sobre o principal evento de arte da América Latina aglutina 81 projetos em expressivos 250 trabalhos. As portas abertas no último dia 6 seguem convidativas até 7 de dezembro para apresentar ao público tópicos como religião, política e sexualidade. No cerne da realidade, a mostra internacional faz ecoar questões atuais como as manifestações urbanas e o processo democrático das eleições.  

Nas coisas que não existem reside o essencial para superar expectativas e convicções. A mostra com DNA questionador convida a refletir sobre as experiências no mundo, as coisas que não existem e que se tornam tangíveis em sua ausência. Esta edição da Bienal quer analisar diversas maneiras de gerar conflito, por isso muitos dos projetos têm em suas bases relações e confrontos não resolvidos: entre grupos diferentes, entre versões contraditórias da mesma história ou entre ideais incompatíveis. As dinâmicas geradas por esses conflitos apontam para a necessidade de pensar e agir coletivamente, modo mais poderoso e enriquecedor do que a lógica individualista que nos é geralmente imposta.

Paralelamente a isso, a imaginação é vista como uma ferramenta para ir além da situação atual, transformando-a. Em seu melhor estado, a arte é uma força disruptiva. Na medida em que ela permite imaginar o mundo diferente, ela cria situações em que o rejeitado pode se tornar aceito e valorizado. "Como falar de coisas que não existem pode parecer, à primeira vista, um tema abstrato. Mas, talvez valha a pena pensar nele como um dilema contemporâneo: como viver em um mundo em transformação permanente, onde as velhas formas de trabalho, de comportamento e de arte já não cabem e as novas formas ainda não estão claramente delineadas?",  indaga Luis Terepins, presidente da Fundação Bienal.

A transformação pode então ser entendida como uma forma de efetivar mudanças, apontando para novas direções de virada - valendo-se de transgressão, transmutação, transcedência, transgênero e de outras ideias transitórias que agem contra a imposição de uma única e absoluta verdade. De fato, essas "trans-" palavras oferecem maneiras de se aproximar de coisas que não podem ser inteiramente ditas ou escritas, mas dependem de outras linguagens.

Processo fundamentado em pessoas

Esta não é uma Bienal fundada em objetos de arte, mas em pessoas que trabalham com pessoas que, por sua vez, trabalham em projetos colaborativos com outros indivíduos e grupos, em relações que devem continuar e desenvolver-se ao longo de sua duração e talvez mesmo depois de seu encerramento. Embora se possa dizer que um pequeno grupo de pessoas sejam os iniciadores, o foco da 31ª Bienal é posto sobre todos aqueles que entrarão em contato com ela e dela farão uso, bem como sobre o que será criado a partir dos encontros no evento como um todo. Essa abertura do processo precisa ser entendida como um meio de aprendizagem: uma troca educacional estabelecida ao longo e em cada um dos níveis e que é, por conseguinte, não resolvida e experimental.

A expectativa é de que todos que entrarem em contato com a 31ª Bienal possam  acompanhar uma jornada, curta ou longa, e explorar algumas das possibilidades ali presentes para depois seguirem os seus próprios caminhos, individuais ou coletivos, levando algo novo consigo. A proposta é que o momento compartilhado seja transformador para todos os envolvidos. Para isso ocorrer, os projetos artísticos, as palavras e ideias surgidas na exposição, discussões e performances que acontecem enquanto durar a mostra precisam ser confrontados, apropriados, usados e abusados. Ao longo desses encontros, dentro e em torno do território da Bienal, por meio do que são fundamentalmente atos artísticos da vontade, as coisas que não existem podem ser trazidas à existência e, assim, contribuir para uma visão diferente do mundo. É provável que seja este, no fim das contas, o potencial da arte. (Fonte:31bienal.org.br)

Serviço:

31ª Bienal Internacional de São Paulo

Quando: De 6 de setembro a 7 de dezembro de 2014

Onde: Parque do Ibirapuera - Pavilhão da Bienal - São Paulo/SP

Entrada Gratuita