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O tricô escultural de Isabel Berglund

O abstracionismo da designer dinamarquesa no tricô maximizado em formas, padrões e simbolismos
| Por: Raquel Medeiros

Esculturas incomuns, feitas de lã. Em escalas e formas que desafiam a imaginação, deixam questionamentos sobre o pertencimento às categorias de arte e design. A base de todas elas está ancorada na técnica do tricô que a designer dinamarquesa Isabel Berglund desenvolve com criatividade e originalidade ilimitadas. A tessitura que se entrelaça a elementos como madeira e acrílico ergue instalações lúdicas marcadas pelas proporções que confrontam a realidade.

O domínio da lã e agulha aplicados às malhas do vestuário se agiganta nas tramas ora monocromáticas, ora coloridas. As composições redimensionam novos significados para criações simbólicas que vestem e aquecem outros olhares sobre objetos fora dos padrões convencionais. O surrealismo do tricô puxa pelo fio da imaginação e fantasia que cabem nos contos de fadas. O que pensar da "Queens Chair" elaborada em lá verde com pontos que unem a cadeira e a mulher que a ocupa em uma só peça? E a "City of Stitches", com a casa de cômodos plácidos e uma frondosa árvore ao meio?

O abstracionismo de Berglund é agudo. Basta adentrar no "Closet Knitter". O revestimento do tricô branco feito à mão esconde a rigidez da madeira e desata uma série de interrogações sobre a cadeira almofadada por um suéter e a luminária que desce do teto. Como um puzzle, as peças compõem uma figura humana ou colaboram para uma ilusão de ótica? As suposições cabem nos mais diversos pontos de vista e tecem pensamentos múltiplos para além da textura macia que desfila nas roupas invernais.

"Closet Knitter", 2010

Serviço: Isabel Berglund