Vida com Estilo

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Qual a extensão da sua pegada ecológica?

O estilo de vida de cada país ou pessoa deixa uma marca equivalente ao território necessário à produção de bens
| Por: Raquel Medeiros

Todo estilo de vida deixa uma marca, um rastro, uma "pegada ecológica". O termo cada vez mais difundido nos discursos sobre sustentabilidade está inserido no cotidiano de cada país, cidade ou pessoa. Não se trata de uma unidade de medida exata, mas, de uma estimativa que ressalta até que ponto a forma de viver está alinhada com a capacidade do planeta de ofertar, renovar seus recursos naturais e absorver os resíduos gerados durante anos. A expressão do inglês ecological footprint traduz em hectares a extensão de território que uma pessoa ou sociedade utiliza em média para a obtenção de bens e serviços. As discussões sobre como harmonizar o crescimento sustentável - equilibrando os pilares social, econômico e ambiental - instigam a uma reflexão de como fazer uso da Terra sem causar danos irreparáveis.

A definição foi adotada pela primeira vez pelo ecologista e professor da  University of British Columbia, William Rees, em 1992. O cenário era o mesmo da Rio 92, quando as nações que participaram da Conferência se comprometeram em adotar métodos de proteção ambiental, justiça social e eficiência econômica. No ano de 1995, Rees e Mathis Wackernagel  publicaram o livro Our Ecological Footprint: Reducing  Human Impacto on the Earth. O conteúdo apresentou uma formula de cálculo para obter a área necessária ao sustento de determinados estilos de vida.

Estilo de vida na calculadora

O alimento, a roupa, o transporte, a energia gasta e o que se recicla são escolhas pessoais que colaboram para o resultado da pegada ecológica. No cálculo de cada estilo de vida - e suas consequências deixadas no meio ambiente - são considerados vários tipos de territórios produtivos (agrícola, pastagens, oceanos, florestas, áreas construídas) e as diversas  formas de consumo (alimentação, habitação, energia, bens e serviços, transporte e outros). Também entram na conta da pegada os tamanhos das populações e as tecnologias a que elas têm acesso.

Nessa matemática cada tipo de consumo é convertido através de tabelas próprias e incide sobre uma área medida em hectare. A equação inclui ainda bases geográficas para acomodar os resíduos gerados e manter uma quantidade de terra e água para o equilíbrio natural. Isso representa uma cota para os animais, as plantas e ecossistemas onde vivem, assegurando a manutenção da biodiversidade. Os índices da pegada sustentável podem contribuir na adoção de políticas públicas, mobilizar a população a rever hábitos de consumo e estimular empresas no aprimoramento de suas cadeias produtivas.

Consumindo além da conta

A população global está consumindo além do que dispõe. Pesquisas apontam que desde os anos de 1980 a demanda das sociedades por riquezas naturais é maior do que a capacidade do planeta em renová-las. Um recente relatório da Rede WWF - organização de conservação global - enfatiza que o aumento da demanda por recursos ocorre no mundo todo. A pegada ecológica de países de alta renda e três vezes maior do que a de renda média e cinco vezes maior do que a de países de baixa renda. No Brasil, o índice que reflete a pressão sobre recursos naturais, aumentou entre 2010 e 2012. O índice atual da pegada em hectare é de 2,93 por habitante em contraste com os 2,91 apresentados na edição anterior.

No crescimento acelerado, sem nenhum planejamento sustentável, muitos países geraram déficits ecológicos com pegadas superiores à sua capacidade biológica. Outras nações dependentes de bens provenientes do exterior impulsionam uma pressão crescente que pode colapsar os recursos e ecossistemas, abrindo caminho para a  pobreza, fome e guerra. Pelos cálculos da WWF, o planeta leva um ano e meio para renovar recursos consumidos e absorver o CO2 produzido durante um ano. Diante dos rastros do consumismo exagerado e da degradação ambiental, já pensou em contabilizar sua pegada ecológica? Entre na página da Global Footprint Network e faça suas contas. A partir disso é possível repensar escolhas.