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Sustentabilidade de vento em popa no mobiliário de demolição naval

A madeira de velhas embarcações dá forma a móveis de exemplares únicos
| Por: Raquel Medeiros

Terra firme para mesas, bancos, cristaleiras, baús e gaveteiros ancorados em varandas, jardins, salas e quartos. Em um passado recente os móveis foram partes de barcos pesqueiros que entre idas e vindas nas águas cálidas da costa paraibana chegaram ao fim da vida útil. Mas, só em alto mar. Agora, a nobreza de madeiras como cedro, ipê, maçaranduba, timburana, pequi e peroba assume a condição de matéria-prima e segue os ventos da sustentabilidade para despontar na forma de objetos carregados de exotismo. 

A execução artesanal preserva os restos de tinta, as fissuras abertas pelo sol e as marcas dos crustáceos clandestinos que pegaram carona nas embarcações. As características colaboram para a originalidade do mobiliário de demolição naval que abre rotas no mercado da decoração com um design rústico que faz de cada peça um exemplar único. 

A criatividade é a bússola para o designer Nilso Luiz Tubin. O catarinense de 51 anos, nascido em Chapecó, é administrador de formação e um exímio timoneiro na produção de móveis com reaproveitamento de madeira de demolição. O negócio que começou com sobras das casas que construía em Santa Catarina ampliou horizontes e desembarcou na Paraíba há quatro anos resgatando nas areias do litoral o que parecia descartável. "Um dia, durante um passeio na praia, vi barcos jogados e abandonados. Enxerguei neles matéria-prima que quase falava dizendo que ainda podia ser usada", recorda.

Pescaria de barcos  

O mobiliário de demolição naval nasce do garimpo para a compra das embarcações. Para Nilso é como sair pela costa lançando a rede para pescar peças que retornarão à vida com novas formas e estruturas. As praias de Forte Velho, Acaú e Ilha da Restinga são alguns territórios férteis que rendem boas histórias e trabalho para esse "pescador" das areias. "Quando bato o olho já imagino pelo porte do barco os móveis que posso produzir", conta ele, expressando contentamento. 

O que por 50 anos ou mais foi meio de transporte flutuando sobre as ondas do Atlântico ganha nova utilidade. Os lastros que acomodaram a pescaria de bonitos, atuns, cavalas, ciobas e dourados têm extensão apropriada para mesas, aparadores, bancos e cristaleiras. As cavernas dos barcos - de desenhos mais arredondados na popa e proa - são utilizadas pelo designer na elaboração de exemplares exóticos inspiradas no mobiliário antigo. 

No ateliê montado no quintal da casa localizada na cidade portuária de Cabedelo, ferramentas simples são manuseadas com cuidado para garantir que as intervenções mantenham a originalidade da madeira. Lixadeira, serra, plaina e formão são extensões das mãos de Nilso que vê em cada pedaço de barco uma preciosidade.

Salão de Artesanato: porto de saída

Os móveis que resultam da demolição naval quase flutuam aos olhos de quem aprecia. No Salão de Artesanato Paraibano - principal vitrine das peças - esse é o sentimento expresso pelas centenas de pessoas que demonstram encantamento com a excentricidade e beleza em exposição. "Quando a gente fala que é madeira de demolição naval todo mundo fica surpreso", relata Ieda Maria Czarnobay, esposa de Nilso e responsável pelos pedidos e venda do mobiliário. 

Desde 2009 o Salão de Artesanato tem sido o porto de saída para os objetos que já "navegam" com sucesso por grande parte do Brasil. Arquitetos, decoradores e clientes que cultivam o gosto por produtos diferenciados abastecem a lista de pedidos que nunca cessa. E essa história que segue a onda sustentável está só no começo. De vento em popa!  

 

Serviço

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