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Ecoa o choro, desata a alegria!

O projeto cultural "Sabadinho Bom" leva os acordes contagiantes do chorinho à praça
| Por: Raquel Medeiros

Sisudez e porte de estátua só a do Barão do Rio Branco, na escultura que batiza a praça. Porque quando ecoa o choro, desata a alegria! O coração vibra e o corpo balança, dança, não quer mais parar embalado pelos acordes dedilhados no cavaquinho, violão e bandolim. Uma mãozinha generosa arranca do pandeiro a batida que aprimora o compasso. Impossível resistir! Na Praça Rio Branco, cenário de preservação histórica e arquitetônica no Centro da capital paraibana, o projeto musical "Sabadinho Bom" - que tem o chorinho como gênero oficial - modifica a cena urbana sob a sombra e testemunho das figueiras quase seculares.

Na sonoridade que se propaga em sua segunda edição, o Sabadinho se derrama em programa cultural. Começou com uma versão para o verão e atendendo ao público foi incorporado definitivamente à agenda de lazer nas demais estações do ano. A iniciativa da Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope) teve início em 2010. Desde então, Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Herivelton Martins, Waldir Azevêdo, Hermeto Pascoal, Sivuca e Paulinho da Viola - entre outros tantos musicistas brasileiros - transitam no repertório das apresentações que começam às 12h30. No palco a céu aberto nomes de Norte a Sul como o grupo carioca Madeira Brasil e o Clube do Choro da Paraíba. Em comum? Música de qualidade, com uma raiz bem brasileira, para pessoas de todas as idades que rememoram ou têm o prazer de conhecer joias raras que arrebatam aplausos, suspiros e emoções.

Tomando emprestada a letra de "Brasileirinho" (composta por Waldir Azevêdo em 1947), "não há quem possa resistir" quando as primeiras notas escapam do tremor das cordas do cavaquinho e violão. Na fusão do choro com o samba, difícil não soltar pés, quadris e ombros. A batida é imperativa, quase hipnótica, fazendo o público levantar. A mesma vibração sonora que se materializa além das fronteiras brasileiras como um dos mais emblemáticos cartões de visita da terra que é rica em ritmos ímpares.

O "Sabadinho Bom" tem cultura pra ver e ouvir

O "Sabadinho Bom" reúne cultura da boa. Além da palhinha musical agradável ao ouvido, o projeto direciona a visão para a arquitetura do entorno que é pura história. A praça que se apresenta boêmia e melódica aos sábados guarda fatos que contam parte do passado da terceira capital mais antiga do País. Tem nos monumentos de traços ecléticos a confidência da evolução que cedeu passo ao desenvolvimento. O espaço que hoje acolhe gente festiva abrigou no início do século 17 o pelourinho com sua coluna oitavada e argolões de ferro para castigar escravos. Durante o período de Colônia e Império, foi a moldura dos prédios do Centro Administrativo e sede da Capitania da Parahyba.

Nos dias atuais, a escultura de José Maria da Silva Paranhos Júnior - o Barão do Rio Branco - aparenta guardar a jurisdição da praça em silêncio. Justo ele, um hábil diplomata na negociação das fronteiras territoriais do Brasil nos idos 1900. Impávido, não demonstra incômodo com a invasão musical que também vira passarela de moda, com gente cheia de estilo. Quem o observa vê a serenidade de haver conquistado definitivamente o batismo do lugar que foi na linha do tempo o largo da Antiga Cadeia, do Erário e da Intendência. Agora, mais do que nunca, recebe algumas centenas de visitantes que contam nos dedos, de domingo a sexta, a chegada do sábado... Bem bom!

 

Serviço:

Projeto Cultural "Sabadinho Bom"

Praça Barão do Rio Branco, Centro de João Pessoa/PB

Aos sábados, a partir das 12h30