Tá na Rua

/A moda desfila na passarela urbana

Dândis modernos de “tirar o chapéu”

A força do dandismo marca a moda masculina no cenário urbano
| Por: Da Redação

Dândis modernos invadem as ruas.  Ternos de cores nada convencionais, combinações ousadas e uma pitada de personalidade marca o estilo masculino que não descarta a elegância com "ar despropositado" escondida atrás de uma produção meticulosamente estudada. A inspiração segue as tendências das passarelas italianas, com um viés de tradição que se adequa às posturas do século 21: a silhueta mais slim e estampas nada óbvias arrematadas por acessórios expressivos como lenços, óculos, gravatas, suspensórios, chapéus e bolsas de couro maximizadas. O resultado visível aos olhos é de muita bossa. Homens de faixas etárias distintas transitam com figurinos que encaram compromissos formais ou uma relaxada temporada de férias nos trópicos com bagagem excedente de uma sofisticação displicente.

O dandismo é uma das expressões do requinte masculino no vestir. Surgiu do movimento anti-moda que rejeitou nos espelhos da Regência Inglesa das primeiras décadas de 1800 o reflexo da afetação dos babados, laçarotes, saltos altos, perucas e pó-de-arroz. O estilo atravessou o século e fronteiras para assumir contornos sócio-políticos e uma postura ideológica a favor da aristocracia. A roupa foi ferramenta de oposição à sociedade burguesa que ascendia com as transformações da era industrial e desfilava a distinção de um sentimento de superioridade elitista.

No cenário das primeiras décadas do século 19, o inglês George Beau Brummel foi o expoente da representação dessa postura traduzida na roupa discreta, rigorosa, sublime e quase imperceptível para os padrões da época. Sua atitude excedia a elegância e se fazia notar como se não medisse forças para isso. Demonstrava indiferença propositada e tratava do entorno com ironia e distanciamento numa clara postura de oposição ao que estava posto. Essa característica delineou um jogo de aparência estrita do qual participaram, em momentos diferentes da história, nomes de intelectuais como Oscar Wilde, Honoré de Balzac, Tom Wolfe e Charles Baudelaire.