Tá na Rua

/A moda desfila na passarela urbana

Curta ou longa? A opção é a saia mullet

A saia de corte marcado pela assimetria faz o jogo divertido de ser curta e longa a um só tempo
| Por: Raquel Medeiros

A moda vive altos e baixos. Não pela dinâmica do que entra e sai no jogo de tendências, mas pela assimetria da saia mullet que invade passarelas e ruas. O modelo tem característica marcada pela diferença da bainha com comprimento menor na parte da frente e uma calda prolongada. A ambiguidade da peça sugere a sensualidade dos curtos e a sofisticação dos longos quando a proposta não economiza tecidos leves e fluidos. E mais que isso: tem uma história bem centrada na ousadia da aparência que reclamava atenção na transição do movimento hippie dos anos 70 para a era disco na década seguinte. 

O termo mullet aplicado ao vestuário já foi hit nos anos 80 como corte de cabelo. A estética de fios mais curtos e repicados no alto da cabeça contrastava com a cabeleira longa na parte de trás. A época de culto ao corpo e juventude deixou registros de como essa moldura do rosto causou impacto e virou moda. Uma das maiores referências é o cantor David Bowie. Já em meados dos anos 70 expôs a melena armada e alaranjada nos shows do glam rock através do personagem extravagante de Ziggy Stardust. O mullet também estava nas mechas do grupo inglês de música new wave Duran Duran e na cabeleira dos brasileiríssimos Pepeu Gomes e Evandro Mesquita, da banda Blitz. Cabelos coloridos, desfiados e assimétricos que rotulavam personalidades e simbolizavam mudanças comportamentais reproduzidas nas telas do cinema, nos palcos e na vida real. O importante era fazer a diferença.