Tá na Rua

/A moda desfila na passarela urbana

O exotismo do Kaftan pede passagem

Ícone dos anos 70 a peça de raízes orientais é sinônimo de liberdade
| Por: Da Redação

Decotes profundos, transparências, aberturas laterais e amplidão. Assim é o kaftan, que com muita liberdade marca presença nas ruas confirmando a tendência do Oriente na rota da moda. As modernas tribos do asfalto tomaram emprestada a vestimenta secular usado pelos persas, otomanos, hindus e outros tantos povos asiáticos para desfrutar do conforto que já vestiu a pompa de reis, xás, príncipes e sultãos.

Na delicadeza e movimento dos tecidos fluidos como a seda e chiffon ou em interpretações mais praieiras estruturadas no algodão leve e suave, a peça ampla e de forma tubular tem como característica as estampas exóticas, palas bordadas e cores vibrantes. Os kaftans ocidentalizados brincam com os comprimentos. Curtos, funcionam como túnicas que passeiam descolados com shorts e jeans sequinhos. Já os compridos, no papel de vestidos que chegam aos tornozelos, têm o poder multiplicador na cena urbana do verão ou na sofisticação de um evento noturno. As alternativas são evidenciadas pela escolha dos materiais, texturas e acessórios que adequam a peça à cada situação.

A sedução do Oriente

O exótico produz efeito passional e sedutor no universo da moda. E nada mais carregado de exotismo do que a cultura do Oriente. Nas décadas de 60 e 70 muitos estilistas renderam-se ao fascínio das sedas e às formas longilíneas do design oriental. Entre eles, o francês Yves Saint Laurent deixou vestígios bem expressivos dessa exaltação que integrou o kaftan à estética das suas criações que despertavam desejos de transceder fronteiras no ato de vestir.

Mas foi Thea Porter, que nesta mesma época, deu larga contribuição à popularização dos kaftans.  A estilista nascida em Israel e de formação inglesa, soube dirigir o olhar para privilegiar suas raízes orientais quando os jovens da contracultura passaram a valorizar as formas da vestimenta de outros mundos em detrimento da padronização vigente e comportada dos seus pais.

Na sua loja londrina, no Soho, aproveitou a atmosfera que evocava terras distantes e investiu na produção de kaftans de larguras generosas, únicos, inspirados nas memórias afetivas do Oriente da sua infância. Sedas, brocados e veludos formatavam as peças que chegavam aos tornozelos. Seus modelos profusamente bordados em pedrarias, fios metalizados e lantejoulas iridescentes conquistaram celebridades como Elizabeth Taylor, Raquel Welch e Barbra Streisand. O mesmo magnetismo que faz sua amplidão dominar as ruas e avenidas... De novo!