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As mil e uma noites da Chanel em Dubai

| Por: Raquel Medeiros

O Oriente está expresso em cada detalhe. Nas tendas beduínas e no palácio de tom dourado entre as palmeiras. As referências excedem nas roupas estruturadas em tecidos nobres, nos bordados em fios metálicos, nas silhuetas fluidas, nos acessórios reluzentes e nas estampas que reproduzem azulejos dos séculos 11 e 12. Como uma miragem, o desfile da coleção Resort 2015 da Chanel (em 13.05) - ambientado em uma ilha artificial  que funde-se à linha do horizonte de Dubai - é a essência do espetáculo marcado pelo exotismo e extravagância. O conto das mil e uma noites narrado por Karl Lagerfeld tem como cenário as areias do deserto, as águas do Golfo Pérsico e os arranha céus que sinalizam o luxo e riqueza dos Emirados Árabes Unidos.

Na pequena porção territorial, a síntese do Oriente fantasiado pelo diretor criativo da casa francesa une tradição e modernidade. Os arabescos exibem uma intrincada composição elaborada com o símbolo da grife e ganham lugar nas paredes e divisórias internas do palácio ou nas clutches vazadas presas às correntes. Eles integram os códigos da Chanel, como a icônica jaqueta de tweed com fios lamê compondo terno de saia e calça a um só tempo. Nos pés, chinelos de veludo preto. Os vestidos compridos guardam respeito à cultura e têm o mesmo espaço das calças harém ajustadas aos tornozelos. Elas pontuam o desfile com as túnicas fluidas adornadas pelos bordados e aplicações artesanais. Um oásis de sofisticação e requinte abastecido na fascinação de Lagerfeld por Dubai, que parece não ter fim. Igualzinho ao conto de Scheherazade.