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Pontos extremos: a sensualidade de Anthony Vacarello e o requinte marcial de Cédric Charlier

Os designers de origem belga colocam na passarela estilos dissonantes, com assinaturas bem particulares
| Por: Raquel Medeiros

Os extremos marcam a abertura dos desfiles na semana de moda de Paris. A ambivalência contida nas propostas para a Primavera-Verão 2014 está centrada nas criações do jovem estilista Anthony Vacarello e do belga Cédric Charlier na clara oposição de revelar e encobrir. Fendas e recortes já constituídos como assinatura de Vacarello dominam a coleção de forma extremamente provocante. A sensualidade salta pelos poros em vestidos de bainhas triangulares (curtíssimas) unidas lateralmente por tiras que criam camadas alternadas de pele e tecido. O trio de cores em preto, vermelho e branco é o ponto básico da coleção composta por shorts, camisas molengas, mini vestidos, coletes e blazers. Uma leve referência militar cintila nos botões metalizados.

Em contraste às revelações excitantes, Cédric Charlier se apodera do estilo marcial para anunciar sua Primavera-Verão. As roupas traçam uma aproximação com as formas monásticas: cobrem, protegem e embalam o corpo em drapeados, sobreposições e transpasses. Os comprimentos e volumes escondem curvas e expõem com leveza o jogo sedutor cultivado pelo uso de sutis e estratégicas transparências. Sedas, cetins e couro estruturam calças samurai, camisas longas e vestidos wrap. Marinho, preto e branco roubam o protagonismo na cartela de cores e unem-se ao brilho das lantejoulas. A uniformidade monocromática é quebrada pelas pinceladas de listras em peças conectadas à contemporaneidade, mais frouxas dentro da inspiração "faixa preta".

 

Desfile de Cédric Charlier