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Empresas do vestuário aderem ao "Acordo de Bangladesh" para evitar desastres

O pacto coloca em andamento medidas de segurança que vão cobrir mais de 1.000 fábricas
| Por: Raquel Medeiros

O prazo foi encerrado no último minuto desta quarta-feira (15.05) e as negociações foram frenéticas. Sob tensão e medo às represálias que a negativa ao Acordo de Bangladesh pode representar, um total de 31 empresas do vestuário adicionaram seus nomes à lista que representa um sim ao pacto proposto pelos sindicatos mundiais IndustriALL e UNI Global Union. As duas entidades estão à frente da elaboração do documento que requer melhores condições de trabalho e segurança para os 4 milhões de trabalhadores que integram as indústrias do vestuário em Bangladesh. O acordo se consolida 20 dias após o desmoronamento do edifício Rana Plaza, em Dhaka, que resultou em mais de 1,1 mil mortos e 2,5 mil feridos. Mais de 1.000 fábricas serão inspecionadas no país asiático.

A lista encabeçada pela gigante sueca H&M conta com nomes como a italiana Benetton, a britânica Marks & Spencer, a holandesa C&A e as espanholas Inditex, Mango e El Corte Inglés. Focada em medidas preventivas a resolução objetiva que "nenhum trabalhador tema incêndios, desmoronamentos de edifícios ou outros acidentes que possam ser prevenidos com medidas de segurança e de salubridade razoáveis", destaca um trecho da redação com extensão de seis páginas. Com duração de cinco anos, o documento prevê inspeções independentes com resultados públicos e a nomeação de especialistas qualificados para análises rigorosas das normas de construção das empresas de prêt-à-porter em Bangladesh, além de reparações obrigatórias que garantam condições seguras custeadas pelas próprias companhias. Os trabalhadores também têm assegurado o direito de recusa ao trabalho perigoso, em concordância com a Convenção 155 da Organização Internacional do Trabalho - OIT.

O secretário geral da IndustriALL Global Union, Jyrki Raina, comemora o desenlace do pacto: "As empresas que se inscreveram devem ser aplaudidas. A H&M mostrou o caminho por ser a primeira a assinar o documento nesta semana. Não vamos fechar a porta às marcas que querem se juntar ao acordo após o prazo, mas estaremos avançando com o plano de implementação a partir de hoje. Aquelas que vierem mais tarde não estarão em posição de influenciar as decisões já tomadas. O trem passa e essas empresas vão conduzir o processo. Não pode haver passageiros não confirmados, pois os riscos são muito altos. Estamos falando de melhorar as condições de trabalho e de vida de alguns dos trabalhadores mais explorados do mundo", declara em entrevista publicada no site da UNI Global Union.  

Segundo exportador de roupas para varejistas globais (atrás apenas da China), Bangladesh concentra aproximadamente 5 mil fábricas em condições de risco à mão de obra barata que viabiliza a competitividade. O salário mínimo dos trabalhadores é de US$ 38,55 (o equivalente a R$ 77,77). O cerco de ONG's e o apelo mundial de mais de 1 milhão de consumidores nas redes sociais cobraram medidas emergenciais para o setor e colocam o consumo responsável no centro das discussões. Como Bangladesh, outros mercados reproduzem o sistema fragilizado da cadeia produtiva a exemplo da Indonésia, Vietnã e Camboja. Nestes países, a costura de milhões de peças de roupas para marcas ocidentais continua sendo uma atividade extremamente arriscada.

Serviço:

Texto do Acordo de Bangladesh

(Fotos: reproduções)