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Arte ancestral nos acessórios bordados pelas indígenas da Amazônia peruana

A arquiteta Flora Gusmão, em parceria com a estilista Antonia Bernardes, desenvolve série de bolsas a partir de tecidos bordados por mulheres da tribo Shipibo
| Por: Raquel Medeiros

O luxo está na ancestralidade. São bolsas e carteiras que expõem a tradição têxtil das mulheres indígenas da tribo Shipibo. No coração da Amazônia peruana elas tecem, pintam e bordam os tecidos que são a matéria-prima dos acessórios produzidos pela designer de interiores Flora Gusmão em parceria com a estilista Antonia Bernardes. A originalidade das peças reside nas cores vivas agrupadas em bordados entrecruzados como labirintos que hipnotizam o olhar. A coleção - em escala reduzida - conquista consumidores pela essência que remonta a antigas civilizações e ganha visibilidade na exposição marcada para o início de junho na Galerie Le Pré Au 6, em Paris.

A casualidade marca o encontro da designer com a arte das mulheres Shipibo e consolida a parceria que coloca as tradições seculares cultivadas na floresta no eixo do mercado ávido por produtos exóticos e carregados de histórias. "A selva foi um dos destinos de uma das viagens que fiz ao Peru no último ano. Me fascinou; me encantou... Lá encontrei o que procurava havia tempos: dar minha mão a um grupo de mulheres que tenta organizar a vida", conta Flora sobre o começo da estreita conexão com as indígenas que integram a Cooperativa Maroti Shobo, localizada às margens da lagoa Yarinacocha.

Para Flora, as Shipibo são detentoras de uma das mais belas técnicas do artesanato peruano. "Elas pintam intrincados labirintos em tecido de algodão utilizando como pincel uma espécie de palito. Depois, tratam de bordar esse traçado misterioso, inspirado em sonhos, com linhas coloridas. E, para finalizar, dão um banho de tingimento à base de raízes queimadas", explica a designer sobre cada rito que colabora para o resultado ímpar das peças têxteis em formato de pareô. Na cultura da etnia Shipibo as mulheres têm a capacidade de traduzir a linguagem cósmica e da natureza através dos sonhos. Esse modo de expressão está nas criações artísticas; sobretudo, nos tecidos e cerâmicas.

Desde a descoberta casual dos bordados produzidos pelas indígenas do Peru nas proximidades da cidade de Pucalpa, a série de bolsas e carteiras elaboradas por Flora chega à terceira coleção. O encontro vem pontuando novas possibilidades de fortalecimento econômico às integrantes da cooperativa Maroti Shobo e as mantém atreladas às origens antropológicas. O cenário faz do passeio fortuito nas águas do Rio Ucayali um curso previsível de transformação social. Para a designer brasileira "a vida vai fazendo sentido".  

Serviço:

Contato Flora Gusmão