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A essência artesanal que dá alma às coisas

A marca mineira de bijus, Mary Design, recobra sua trajetória para “Dar alma às coisas” na coleção que privilegia memórias e sentimentos
| Por: Raquel Medeiros

Ponto a ponto o bordado puxa o fio da memória e compõe sentimento. Cria motivos com as lembranças, harmoniza as cores das linhas que abandonam a fragilidade e ganham força no conjunto da criação que mais parece poesia. Essa é a essência da coleção de bijus da Mary Design para o verão 2014. A marca mineira mergulha na própria história trilhada ao longo de três décadas para, a partir dela, "Dar alma às coisas". Uma inspiração que brota das reminiscências que a designer Mary Arantes - à frente da marca - mantém bem vivas como elo do passado que abastece o presente.

Dar alma às bijus é transferir calor e afeto. É despertar a um primeiro olhar a surpresa que desenlaça nostalgia e faz voltar no tempo recobrando emoções adormecidas. Atada às técnicas artesanais a Mary Design faz isso de mão cheia. Mãos que bordam, executam amarrações e tramam fios são ferramentas de trabalho. Insubstituíveis pela delicadeza na ponta dos dedos e que diferente das máquinas em uma linha de produção elaboram cada peça com a perfeição de ser única. "Trabalho a várias mãos que representam visões e ideias de mundos diferentes. Mãos da Marta, Nara, Ana, Rejane, Márcia, Cleide, Kátia, Mariza, Marias... mãos benditas!", exalta Mary.

Para a moda que iguala, oferecer o desigual

A coleção é introspectiva. A Mary Design celebra um encontro com as técnicas artesanais, com a brasilidade e a mescla cultural que assinalam sua trajetória. "Como nas minhas primeiras bijus, o que veio à mente foi a fuga das linhas de produção. Estar horas a fio bordando apenas um colar, para uma mulher especial. Voltar com essas peças, exclusivas, bordadas com contas, que vão acabar e que serão trocadas por outras, ali paradas, à espera da criação. Para a moda que iguala, oferecer cada vez mais o desigual", argumenta a designer sobre o rumo de suas criações desvinculadas de tendências.

Como ela própria conta, a coleção é sobre bagagens pessoais. Colares de fios cortados milimetricamente iguais ou que simulam dobraduras de tecidos espaçadas por pérolas. Peças coloridas e brilhantes ornadas por pedras, miçangas e rosas miniaturizadas são como relíquias de algum baú de tesouros próprios dos contos de fadas. Preciosidades colhidas das memórias da menina filha de alfaiate que aprendeu a "costurar de ouvido" e fez desabrochar flores em retalhos com mudas de linhas encontradas no ateliê. "Esta coleção foi buscar o papel das coisas, do tecido que sempre envolveu nossos trabalhos, da riqueza das tramas, amarrações, dos riscos de papel carbono bordados no tempo", avalia Mary Arantes sobre cada produto feito para estar junto ao peito, ao pulso, ao pé do ouvido em sussurros e nos dedos como símbolos de afeto e beleza. Bijus que encontram nas mulheres suas almas gêmeas.

 

Serviço: Mary Design

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