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A Partícula de Deus, o deserto e a flor

No terceiro dia de desfiles do SPFW a conexão das marcas com a origem da vida e a natureza
| Por: Raquel Medeiros

Um grão de areia, uma partícula, uma semente. Logo, na costura, uma ideia, um corte, um ponto... A criação. O terceiro dia de desfiles do São Paulo Fashion Week, ambientado no verde do Parque Villa Lobos e na floresta artificial de tecidos que veste as tendas do evento, trouxe à luz a apresentação de seis marcas. Cada uma, ao seu ritmo e estilo, desafiou o calendário exíguo e o calor típico do verão para modelar um inverno além do preto e dos tecidos de tramas fechadas. O anúncio da temporada transbordou em cores, transparências, bordados e recortes.

A estilista Glória Coelho foi ao princípio de tudo: a "Partícula de Deus", que de acordo com o cientista britânico Peter Higgs, deu origem à massa de todas as outras partículas. Da inspiração 'infinita' explorou a luz e a natureza. E nesse universo que conforma tudo, também destacou referências urbanas no jogo geométrico e arquitetural de cheios e vazios, contrastando a leveza do tule com materiais mais densos. Alfaiataria elaborada, formas slim e a multiplicidade entre as peças que vão dos vestidos tubo e terninho às calças de couro.

A criação de Alexandre Herchcovitch germinou com mulheres flores. Sensíveis, poéticas, exóticas e leves. Mas, fortes e altivas em vestidos volumosos que revisitaram o new look de Dior com a cintura bem marcada. Sedas, musselines e chiffons surgiram em preto, off white, vermelho, alaranjados e verde oliva.  As estampas florais reproduziram ramalhetes vistosos, esparramando pétalas praticamente enraizadas aos corpos das modelos. Em menor escala, a Maria Garcia também fez brotar flores na passarela. Trouxe o colorido delas em peças que deixaram um perfume retrô.   

A segunda aparição de Vitorino Campos adentrou nos mistérios do Deserto do Silêncio, no México, para estabelecer "conexões para uma única direção". Eram os deuses astronautas? Ainda não sabemos, mas o livro de Erich von Däniken - que embasa a concepção criativa - traz respostas alegres e futuristas para um inverno contemporâneo mergulhado em listras e no tom de areia que junta-se ao marrom, branco, rosa e prata. Rodrigo Rosner trocou perguntas por hipóteses. Com o tema "Se eu fosse Maria Carolina" demonstrou escolhas femininas pautadas nos brilhos, recortes, decotes, bordados e transparências. Ao fim do terceiro dia nada melhor do que "sombra e água fresca" para um inverno que também tem palmeiras na estamparia. Assim fez a Forum. E da lã, seda pura, musseline e denim recriou a estação mais fria do ano com o calor do Brasil.