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As listras traçam tendências e história

Carregadas de significados que atravessam a história as listras demarcam território no verão
| Por: Raquel Medeiros

Aonde levam as listras? Retilíneas, diagonais, perpendiculares... Em cores fortes e larguras diversas conduzem a um mergulho em referências cotidianas. Para além dos guarda-sóis e espreguiçadeiras que enchem as areias de cores no verão, as "riscas" abrigam significados ao longo da história antes de traçar tendências na moda contemporânea. O francês Michel Pastoureau - especialista em arte e história medieval - deixou pistas interessantíssimas sobre o tema no livro L'étoffe du diable: Une histoire des Rayures et des Tissus Rayes (O tecido do diabo: uma história de listras e tecidos listrados, Seuil,1991).

Nas páginas do livro de Pastoureau repousam descrições de como os tecidos listrados foram - por muito tempo - associados à exclusão e desonra. As conexões à falta de pureza, lisura e retidão marcaram a Idade Média. O confronto de duas cores era sinônimo de divisão, rebeldia e transgressão e impôs conceitos que perduraram no Ocidente, antes das mudanças provocadas pelo movimento iluminista. Sob a aura cristã, as listras vestiam todos aqueles que estavam à margem dos dogmas da religião: hereges, prostitutas, assassinos, palhaços, malabaristas e músicos. Isso, sem deixar de remontar que o próprio demônio e suas criaturas eram pintados em trajes riscados.  

Esse lado nefasto imputado às listras foi abrandado pelo tempo, levando-as à popularidade com a heráldica. Os brasões de etnias, clãs e famílias fizeram uso das faixas de cor em variações infinitas. Os significados negativos e positivos passaram a coexistir. Nas sociedades contemporâneas as listras pintam roupas de prisioneiros, assinalam lugares perigosos, destacam uniformes de equipes esportivas e decoram as areias e áreas das piscinas nas tradicionais cadeiras e guarda-sóis.  

Na moda, desde que a transgressora Coco Chanel passou a adotá-las em suas criações e Jean Paul Gautier tornou-as cativas a partir dos anos 80 em suas coleções, elas são símbolos do estilo navy que navega de vento em popa em todos os verões. Basta rever cada álbum dos últimos desfiles de Paris, Londres e Milão para a temporada e constatar que as listras gozam de liberdade. Uma tendência seguida à risca pela maioria dos estilistas.