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O código da alfaiataria feminina

Atemporal, clássica e sofisticada a alfaiataria se mantém intocada no armário feminino
| Por: Raquel Medeiros

Na roupa, identidades, personagens e sentimentos. O mundo imagético de códigos e condutas sociais faz do vestir sinônimo de força e poder. Nas primeiras décadas do século 19 a alfaiataria deu um basta na afetação dos laçarotes, babados, meias de seda, saltos e perucas que compunham a vestimenta masculina e fez da imagem dos varões um sinônimo de discrição, respeitabilidade  e elegância. Potencializou nas linhas e tecidos sóbrios a figura de senhores bem sucedidos encapados em seus ternos de lã e camisas de colarinhos empertigados. Transcorridos mais de 150 anos dessa revolução, a alfaiataria nunca pareceu tão idealizada para vestir os corpos femininos. Sem privilegiar estações, as peças-chave desse estilo mantêm-se perfiladas, intocadas aos modismos que se dissipam com as mudanças de temperatura.

Do terninho básico às reinterpretações ousadas de blazers, coletes, calças e camisas, a alfaiataria aninhou-se no fundo de armário de toda mulher urbana e contemporânea. A roupa clássica, de qualidade, elegante e funcional ganhou a adesão das saias na altura do joelho e dos vestidos de linha reta. Em tempos de crise econômica - como a instalada na atualidade - é o estilo importado do guarda-roupa dos homens que reina absoluto nas passarelas do sexo oposto. A aposta certeira e atemporal resiste impassível às turbulências, abotoando a silhueta delicada e feminina com um código indiscutivelmente sedutor. Uma receita que Yves Saint Laurent testou em 1966 quando apresentou pela primeira vez o smoking ajustado a um corpo de mulher.  Sobrou feminilidade sobre referências tão viris.