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O estilo etnográfico e artesanal de Craig Green

O designer britânico ingressa no mundo da moda com um conceito identitário e funcional
| Por: Da Redação

Os detalhes artesanais delineiam o conceito de moda fresco e inusitado. Túnicas e calças de algodão, referências do tie-dye e acessórios esculturais compostos em papel machê e madeira. Toda a criação foge à estética habitual e provoca a produção eminentemente comercial. A força das formas simples e a geometria exacerbada dos apetrechos funcionais impressionam e geram questionamentos do que é moda e como ela intervém no cotidiano, gerando unicidade e identidade. Esse é o olhar minimalista de Craig Green, o estilista britânico de 25 anos que desponta com talento na ousadia de experimentar a moda masculina com um sentido etnográfico.

As roupas - tanto quanto as estruturas que as acompanham em volumes que simulam extensões indissociáveis - fazem conexões com o universo religioso, nômade e ficcional. A última coleção de clima invernal apresentada na semana de moda londrina expôs diálogos culturais com a literatura e o cinema. Os Cucos Midwich (1957) - livro de John Wyndham  que inspirou o suspense do filme A Vila dos Amaldiçoados (1960) - é fonte de influência para as silhuetas que rememoram cultos e personagens em uma aura misteriosa. No entanto, a própria experiência de vida do garoto filho de um encanador e às voltas com artesãos e construtores abastece seu modo arquitetural e artesanal de criar.  

As peças extravasam em conotações de deslocamentos territoriais e de peregrinação religiosa. Não menos visível diante dos "porta bagagens", o jogo de luz e sombras criado pela tie-dye colorido ocupa uma parte expressiva das calças e túnicas em disposições que reforçam as linhas retas. O impacto é visual, como uma projeção de luz colorida sobre o corpo. No conjunto, a ideia de transitoriedade soma-se à própria dinâmica urbana e global de passageiros inquietos, em constante movimento.