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Cântico de amor em bijus apaixonantes

A coleção verão da Mary Design tem inspiração no poema bíblico “Cântico dos Cânticos”
| Por: Raquel Medeiros

As bijuterias contam e cantam um caso de amor. Colares, pulseiras, brincos e anéis revestidos de encantamento aninham-se em colos, repousam em pulsos, dançam suspensos nas orelhas e enriquecem os gestos das mãos. Seduzem e hipnotizam.  São peças multifacetadas a cada novo olhar: coloridas, brilhantes e vigorosas pela composição artesanal que é inerente à marca mineira Mary Design. Inspirados no amor bíblico de Salomão e Sulamita - descrito nos versículos do "Cântico dos Cânticos"- os acessórios remetem ao poema que louva o amor e incita à reflexão de como um sentimento entre duas pessoas pode ser tão sagrado.

O lirismo e dramaticidade da poesia que envolve Salomão e Sulamita expõem diálogos apaixonados e apaixonantes. Um amor como tantos outros, que abastece a escrita de livros diversos e preenche as páginas de vidas reais. "Esse amor bíblico, simples, fugidio, amor espera, que nunca se concretiza, amor desencontro, canto perfumado de amor sobre a errância. É nosso desejo de falar da sede e da ânsia de amor, deles e da nossa, que nunca se esgota", enfatiza a designer Mary Arantes.

No poema que trata da primeira enunciação feminina bíblica, a inspiração para as bijuterias carrega discursos do amor e da ausência dele em realidades mais contemporâneas. "Chegamos ao final do trabalho com uma imensa certeza de que o amor não se explica, de que é um paradoxo e de que esse velho e conhecido amor anda escasso, está em estado de carência e precisa ser despertado", referenda Mary com a ideia de que a coleção provoca leituras sobre essas questões. Sobretudo, nas frases extraídas do livro que integra o Velho Testamento para figurar em colares. 

Sentimento em cores, texturas e luminosidade

O intangível contraria regras e surge materializado em formas, na pluralidade das cores e texturas. O processo criativo dos acessórios absorve a influência da religiosidade indiana presente no texto que ainda soma referências grega, egípcia e israelita. O amor que embeleza e seduz destaca pedrarias, safiras, topázios e alabastro.  A descrição imagética das vestes e dos cenários da narrativa também assinala a elaboração das peças que ganham caráter de luminosidade nos tons do ouro, bronze e prata velha. O universo dos enamorados carrega as representações do coração, das flores e de frutos como a maçã. 

A estética do verão 2013 da Mary Design cede às formas maximizadas de brincos, braceletes e colares que quase vestem partes do corpo.  As cores são abundantes e a mescla de miçangas de vários tons que estrutura delicados tubos de tule representa um trabalho de reciclagem com a sobra de material de coleções anteriores. Essa paixão "sustentável" e artesanal da marca perdura ao longo dos 30 anos de existência. Uma postura de fidelidade que a torna reconhecida sem que haja necessidade de identificá-la.

Os acessórios corporificam o poema que exulta o erótico, os desejos íntimos de um homem e uma mulher que tomam o sentimento em sua porção vital. "Quando o lemos percebemos que ele é libertário, não tem um Deus rancoroso, não é amor lei. É sim um amor erótico sem ser vulgar. Elegante e encantado dentro de um livro sagrado. Um sagrado dentro do outro!", exclama Mary convicta de que todo amor carrega a aura de sacro. Digno das Escrituras. 

 

"Deliciosas, são tuas faces entre os brincos,

Teu pescoço envolto em guirlandas.

Brincos de ouro mandaremos fazer para ti.

Com incrustações em prata" 

   (Cântico dos Cânticos)