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O poder da fina estampa

As estampas ilustram a moda com impressões marcantes que contextualizam épocas
| Por: Da Redação

As estampas ilustram a história da moda. Inconfundíveis geometrias, grafismos, florais, poás, listras e bichos são assinaturas de criadores e declarações escancaradas de épocas desenhadas por padrões próprios do cenário sociocultural. Entre primaveras e invernos elas desabrocham em cores - sem gozar necessariamente da condição de flores - para provocar com figuras bem delineadas ou manchas abstratas um revival  de emoções que alimentam a criação do vestuário. Na atmosfera contemporânea as marcas prestigiadas já expõem suas apostas para as temporadas de frio e calor com padronagens que se deslocam desde as modernas formas geométricas de efeito ótico às paisagens bucólicas que aclamam a natureza.

O que as passarelas traduzem como hit do momento foi anunciado com certo fôlego pelos bureaus de tendências. As diretrizes assinalam e resgatam histórias de temporadas idas povoadas de vestígios colhidos nos movimentos culturais da primeira metade do século XX como a Bauhaus, Art Déco e Art Nouveau. No entanto, muitos clássicos da estamparia - independentes dos relatórios meticulosamente estudados pelos coolhunters - farão vista grossa às previsões e surgirão na linha do horizonte das semanas fashionistas para marcar território. As eternas bolinhas, os fulgurantes xadrezes, o delicado floral liberty... O requintado pied-de-poule ( pé de galinha em francês) repaginado em cores que ultrapassam a tradição do preto e branco e o paisley com desenho saído dos xales indianos de cashmere e fidelizado à moda Ocidental.

Exuberância como linguagem

De olho no passado que não deixa de refrescar o presente da indústria da moda, as estampas das casas Missoni e Pucci são célebres. As duas marcas têm em comum a origem italiana e um design - respeitados os "riscados" de cada uma - que explode em formas e uma cartela de tons harmoniosos reconhecidos em todas as partes. A Missoni, com raízes no tricô artesanal na região da Lombardia dos anos 50, projetou desenhos icônicos que "ziguezaguearam" os quatro cantos do mundo a partir da década de 70 para referenciar a estampa como sua própria linguagem. 

Denominado de "Príncipe das Estampas", Emilio Pucci  é símbolo de um estilo carregado de exotismo. Seus desenhos geométricos e ultra coloridos inspirados na natureza e nas culturas orientais e africanas exercem fascínio desde a inserção no universo rebelde dos anos 60. Cores contrastantes e estampas maximizadas vestiram personagens da juventude transgressora do "paz e amor" magnetizada pelo efeito psicodélico que evocava viagens alucinógenas. Moda e sociedade estabeleceram sintonia em quebrar normas vigentes e o DNA da Pucci mantém o espírito jovem e revolucionário que teima em surpreender.

As duas grifes desfrutaram da década de 60 em sua generosa receptividade às inúmeras mudanças na indústria têxtil. Um apanhado de novas fibras - transformadas em senha para experimentos de estampas - romperam com os comportados xadrezes e poás em preto e branco. O poliéster na composição dos tecidos anunciou o fim das rugas nas roupas e outros estilistas de uma linha modernista como André Courrèges, Emanuel Ungaro, Paco Rabanne e Pierre Cardin mergulharam na onda Op Art (ou Optical Art) com desenhos gráficos que exibiam volume e movimento. A proposta que confundiu a visão apurou o olhar sobre o poder hipnótico das estampas.