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Quando menos é MAIS

O minimalismo aponta como tendência, descarta excessos e propõe elegância com simplicidade
| Por: Da Redação

A moda configura uma antítese de si mesma. Quase sempre a inserção de uma nova tendência reafirma uma oposição ao conceito vigente, constituindo o inusitado, a novidade que vai assinalar a estação que brota. São as rupturas e contrastes que tomam as rédeas e o sentido de renovação. Agora, na rota de colisão com a profusão de cores, estampas e brilhos, a discrição pede passagem.  Esboça prenúncios de uma matemática que contraria as regras, onde o menos é mais. Abram alas para o minimalismo! Ele reúne toda sua bagagem que vestiu décadas passadas e retorna altivo. É o "mínimo" de formas simples e limpas que soma no todo e multiplica o grau de sofisticação. E quase sempre, de cores sóbrias e neutrais, praticamente desprovido de recursos e elementos.  

De uma relação intrínseca com a modernidade, o minimalismo toma posição de clássico. É atemporal e enérgico, equilibrando força e delicadeza na roupa que veste homens e mulheres com certo grau de androginia.  Sobretudo, quando sorve as linhas da alfaiataria que nunca saem de cena. O estilo que tem como base de expressão a extrema simplicidade invoca a mensagem: no fim das contas, o essencial é o que realmente importa. A moda de poucos elementos, marcada pela elegância e funcionalidade como propôs Coco Chanel na década de 20 quando o conceito minimalista sequer havia sido aplicado à moda.

Antes da moda, arte em dose mínima

Antes de ser costurado ao universo fashion, o minimalismo cristalizou uma tendência nas artes visuais americanas do final dos anos 50 e princípio da década seguinte. Entre tantos movimentos da contracultura nos Estados Unidos, o conceito surge em contraposição à exuberância romântica do expressionismo abstrato que centrava esforços em consolidar o protagonismo cultural americano. Também chamada de Arte Elementar, Arte Redutiva ou Minimal Art, o minimalismo propôs um design geométrico, sem conteúdos subentendidos ou mensagens dúbias. Era a forma pura e simples, verdadeira aos olhos do observador, despojada de efeitos e sentidos decorativos. Normas que logo ganharam espaço também na arquitetura.

Esse processo reducionista e viral também chegou à moda e os anos 90 forjaram a performance mais emblemática dessa criação. Sobretudo depois de uma jornada anterior  de excessos, roupas estruturadas com ombreiras e cores berrantes. À época, criadores como Shirin Guid, Jil Sander e Calvin Klein foram representantes da moda de traços limpos e enxutos garimpada principalmente da alfaiataria masculina e inserida no guarda-roupa feminino. Em se tratando da Calvin Klein, o brasileiro Francisco Costa continua marcando pontos na grife com o estilo inconfundível de uma roupa de linhas discretas que segue privilegiando a simplicidade sem descartar a elegância. Nesse caminho trilham Stella McCartney, Pedro Lourenço, Céline, Max Mara, Cori,  Marni e Tufi Duek entre outros nomes que apostam na matemática que burla a lógica e faz o mínimo ser o máximo.