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Na rota do Oriente

As referências da moda asiática imprimem cores vibrantes e o toque sedutor da seda
| Por: Da Redação

Um Oriente milenar e exótico invade passarelas, editoriais, conceitos de coleções, vitrines. As tradições, os rituais, a cultura diversa e traços do comportamento quase imutável ao longo da história se desdobram em roupas e acessórios que remetem a destinos longínquos.  Numa metáfora capaz de conduzir a uma viagem às civilizações mais antigas do mundo, a moda se envereda pela sedução e mistérios da "Rota da Seda" para revelar os países asiáticos que emprestam suas cores, aromas, texturas e sabores aos criadores e criações das grandes marcas com endereços ocidentais.

A seda no decorrer do tempo vestiu a sofisticação de reis, rainhas, sultãos e xás com suavidade e cores resplandecentes. Ela que nunca abandona o posto de tecido nobre é nas próximas temporadas a vedete da moda oriental que atravessa a rota da globalização, aproximando e unindo povos através da vestimenta. Uma moda mítica e atemporal já foi antecipada nas principais semanas de tendências do mundo, projetando para as estações vindouras de 2012 a elegância de quimonos, calças amplas, túnicas e vestidos tubulares. As sakuras -flores das cerejeiras - brotam em estampas que são ícones da cultura japonesa. Ramas e florais também despontam em bordados, marcando referências nativas da China, Índia, Turquia e Indonésia.

O fio do caldeirão cultural

A exuberância da Rota da Seda era mais que uma conexão de estradas lendárias que uniam o Oriente com a Europa e o mundo árabe. O itinerário de 12 mil quilômetros assim batizado no século XIX pelo pesquisador alemão Ferdinand von Richthofen  converteu-se no maior eixo comercial e cultural de todos os tempos. Estima-se que entre o século II antes de Cristo até meados do século XVI milhares de caravanas partiram da antiga capital da China, Xi'an, até vislumbrar a porta de Constantinopla (a atual e moderna Istambul, capital turca) de onde as expedições prosseguiam por via marítima até Veneza.

Durante meses o transporte de mercadorias organizado nos lombos dos camelos reunia comerciantes e mercadores das mais diversas origens. A rota tinha o nome do tecido que era desejado pelo mundo, mas fazia circular tapetes, joias, incensos e especiarias como canela, pimenta e noz-moscada. Esse contato viabilizou a transmissão de saberes, a difusão das invenções e um fumegante caldeirão de ideias e crenças religiosas. Era um caldo cultural temperado por tradições ancestrais como a chinesa, turca, indiana, árabe, romana, grega e egípcia.

Destino revisitado

Nas rotas da moda, entre idas e vindas, o Oriente é destino revisitado. A tendência atual é a mesma que marcou os primeiros anos do século XX, dominando a capital francesa. "O orientalismo se originou na arte. Em 1905, em Paris, a exposição dos pintores fauvistas, que empregavam cores intensas e de tonalidades antinaturais, desatou uma paixão pelo exótico", descreve Mairi Mackenzie, professora de Estudos Históricos e Culturais na London School of Fashion, em seu livro "...Ismos - Para Entender a Moda".

Explica, ainda, que a transformação desta tendência em autêntica moda foi a produção de Scherazade pelo ballet russo de Diágilev, apresentado na Paris de 1910, com um figurino que representou uma explosão de cores. De percepção aguçada, o modista parisiense Paul Poiret disseminou o estilo e o gosto pelos tecidos importados do Oriente. Elaborou peças de uma silhueta esbelta de linhas quase tubulares, inspiradas no quimono japonês, além de túnicas gregas e caftans. Foi o ápice da moda oriental com o requinte dos contos das mil e uma noites.