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Aliste-se já no estilo militar

O militarismo surge repaginado em peças utilitárias para ocupar as trincheiras de inverno a verão
| Por: Da Redação

Verde oliva, camuflagem, bolsos utilitários. As referências são do militarismo que "meia volta volver" retorna revisitado dentro das tendências da moda. Do inverno do hemisfério Norte ao verão que chega de mansinho abaixo da Linha do Equador o estilo que faz "continência" aos uniformes das forças armadas relata - através das jaquetas, casacos, trenchs, cintos, óculos aviador e botas - um pouco da história conflituosa da década de 40, onde a moda reinventou-se dentro da escassez de matéria-prima.  

Nas passarelas e campanhas massificadas na mídia grifes como Marc Jacobs, Givenchy, Burberry e Lanvin elencam um revival militar com uma estética leve e sofisticada para homens e mulheres. Destaque - nas criações femininas que desembarcam nas vitrines - para a estampa camuflagem que se renova em novos tons e não se esconde da noite, abusando do brilho do lurex.

As propostas do militarismo atual não estão presas à rigidez das linhas retas. As peças femininas são camaleônicas, urbanas e utilitárias como macacões, calças, saias, vestidos e jaquetas. Elas dispensam a função de travar combates de sobrevivência similares aos registrados nos difíceis anos do front da segunda guerra, entre 1939 e 1945. No guarda-roupa masculino emprestam um ar casual e mixam com perfeição a função utilitária com as demandas do cotidiano.   

A moda da resistência

Os desafios e trincheiras da época evidenciaram a falta de tecidos e de mão de obra especializada que trocou ateliês e tesouras por campos de batalhas com pistolas e canhões. Um cenário marcado pelas dificuldades, carências, mudanças de comportamento e readaptações. O livro "Moda & Guerra - Um Retrato da França Ocupada", de Dominique Veillon (2004), narra como as restrições da indústria têxtil impuseram certo controle sobre a compra de roupas. Um cartão de vestuário limitava a aquisição de peças anuais. 

A moda perdia quantidade, qualidade e cor. Os tons alegres eram engolidos pela sisudez dos beges, cinzas e verdes que perfilavam os soldados.  A criatividade marcava a grande "tendência" da larga temporada da ocupação alemã. A escritora Dominique Veillon resgata conselhos da revista Marie Claire para os tempos sombrios: "Uma calça de homem pode se tornar um bonito vestido. Para isso, basta virá-la do avesso depois de a ter cuidadosamente desfeito. O vestido será montado de quatro panos aos quais você acrescentará uma pala de tecido listrado ou de tricô".  

Cortinas, telas de tapeçaria, mantas e retalhos também se constituíram em materiais preciosos para compor o figurino das mulheres e crianças que enfrentaram os duros anos 40. E tudo o que se desenhou e estruturou não como a moda desejada - mas a moda possível - acabou por levantar a bandeira do estilo militar. O mesmo que desde então se enfileira entre invernos e verões e ressurge triunfante no front urbano.