Moda

/Porque é tendência estar bem informado

Os loucos anos 20 estão na moda

A moda transgressora e moderna dos anos 20 retoma a cena com pitadas de sofisticação
| Por: Da Redação

Quando a modernidade chegou com o princípio do século XX, muitas amarras foram soltas para deixar fluir um sentimento libertário.  Sobretudo, na segunda década que sacudia a poeira do pós-guerra.  A começar pela moda, as mulheres respiravam - por fim - aliviadas, sem a compressão do espartilho sobre os pulmões.  Mais que inspirar e expirar melhor, a atmosfera registrou transformações comportamentais bem "visíveis" que expuseram tornozelos e logo pernas, braços, costas e o colo feminino. O corpo se revelava de forma provocativa. Escandalosa! Estavam quebradas as rígidas estruturas aristocráticas refletidas no modo de viver e vestir. E é esse conceito - passados 90 anos - que volta à cena da moda atual para contrastar as referências e ideias da liberdade em pleno século XXI.

Uma vez mais a moda dos "loucos anos 20" - onde a regra era viver intensamente - ressurge nas passarelas de maneira provocante. Sofisticada, é fiel à ideia da roupa que permite movimentos livres como propôs a revolucionária Coco Chanel com suas criações que marcaram em definitivo a história da moda. Grifes como Gucci, Louis Vouitton e Ralph Lauren apostaram no revival dos tempos das melindrosas e atualizaram as formas retas e simples com um certo luxo despretensioso.

Franjas, brilhos, plumas, rendas, chapéus choche, sedas, chiffons e tecidos texturizados evocaram o período em que o ideal de liberdade abraçava o futuro das invenções, da energia elétrica e da era industrial. As casas de moda investiram, também, na alfaiataria. Remissões ao vestuário masculino que forjou o estilo "a la garçon" para vestir a mulher moderna, segura e altiva. Aquela de cabelos curtos que chacoalhou com os códigos de conduta, rompeu preconceitos no mercado de trabalho e passou a frequentar os salões noturnos regados pelo champagne, névoa da fumaça do cigarro e o som contagiante do jazz.

Na tela do cinema: pérolas, plumas e paetês

O momento atual que traz a sensualidade dos vestidos tubulares e brilhantes, ricos em detalhes bordados de paetês, pedrarias e falsas pérolas também foi enquadrado na telona do cinema. Novamente a moda e a sétima arte protagonizam recortes fascinantes de uma sociedade dinâmica e transformadora. Numa sincronia que se volta para a efervescência cultural da época, o diretor Woody Allen retoma a consagrada carreira em grande estilo com o filme "Meia Noite em Paris", onde os anos 20 dão o tom. O enredo inclui referências aos ícones da época ruidosa como os escritores F. Scott Fitzgerald e Ernest Hemingway, o músico Cole Porter, o pintor Pablo Picasso e o cineasta Luis Buñuel. Quem veste a atriz francesa Marion Cotillard é a figurinista Sonia Grande que já tem créditos em inúmeros filmes do espanhol Pedro Almodóvar.  

O estilo inequívoco dos anos 20 já havia marcado época no cinema com o clássico "O Grande Gatsby". A adaptação cinematográfica do romance homônimo do escritor F. Scott Fitzgerald foi dirigido em 1974 por Jack Clayton, com roteiro de Francis Ford Coppola. No elenco interpretações irretocáveis de Robert Redford e Mia Farrow. O figurino? De um certo iniciante chamado Ralph Lauren. O mesmo que na semana de moda de Nova York deste ano arrancou suspiros com a nostalgia que os anos 20 imprimiram no século passado e na história da moda. Doce e sofisticada loucura!