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Semana de Moda de Nova York com gosto brasileiro

Os estilistas Carlos Miele, Alexandre Herchcovitch e Francisco Costa deixam rastros do Brasil na Mercedes-Benz Fashion Week
| Por: Da Redação

A Semana de Moda de Nova York- Mercedes-Benz Fashion Week- foi tumultuada, rápida e precisa. Marcou com flores, coloridos e um ar de saudosismo do futuro o tempo presente, com coleções de primavera-verão otimistas e bem resolvidas, tudo para fazer contraste à memória dos 10 anos dos atentados do dia 11 de setembro.  O evento aconteceu do dia 8 ao dia 15 de setembro, no Damrosch Park,  do Lincoln Center de Manhattan. Apesar de findada, a MBFW deixou rastros e entre eles a passagem dos brasileiros que apresentaram alguns dos desfiles mais comentados do evento. Os estilistas Carlos Miele, Alexandre Herchcovitch e Francisco Costa não fizeram por menos: a moda brasilis  mordeu com gosto a Big Apple.

No dia 12 de setembro, anunciando um novo tempo pós-tragédia americana, os brasileiros Alexandre Herchcovitch e Carlos Miele se destacaram mostrando suas coleções em dia cheio de celebridades e marcas famosas, como Carolina Herrera, Donna Karan, além de grifes que costumam iluminar as estrelas nos tapetes vermelhos, como Jenny Packham e Pamella Roland. No dia 14, foi a vez da marca brasileira Rosa Chá, que tem Herchcovitch como diretor criativo.  Já Francisco Costa, nome importante por detrás da Calvin Klein fechou as cortinas da Semana de Moda de Nova York, no dia 15, trazendo a mensagem de um sutil e delicado minimalismo para um novo tempo na moda.

Carlos Miele: um paraíso artificial

O brasileiro Carlos Miele apresentou sua coleção primavera-verão  Immersive Landscape com conceito orgânico, líquido,  através da  inspiração em ambientes imersivos artificiais, que podem ser criados pela realidade virtual. No meio de uma projeção tecnológica, as peças foram realçadas por estamparias digitais que lembravam ondas  do mar com muitas cores da brasilidade: verde, amarelo e azul. Estas. dividiram espaços com cores monocromáticas, como foi o caso do turquesa, do branco e do laranja. Tudo isso com muita fluidez e sensualidade, com decotes poderosos, fendas enormes e ombros à mostra em   vestidos longos, curtos e saias que vão até a altura do joelho. Teve ainda a presença de muitos caftãs esvoaçantes de chiffon de seda, túnicas gregas, macacões amplos, detalhes em recortes geométricos, transparências e drapeados.  

Miele brincou com o luxo e  artesanal, mesclando os tradicionais fuxicos confeccionados pela Coopa Roca, da favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, com adornos de  joias assinadas por Ivana Trump.  Não foi só. A proposta de mesclar o futuro com o presente e afirmar as diferenças também foi marcada por um time de modelos de doze países diferentes, uma representação multirracial global e  sem fronteiras, que desfilaram seus 32 looks ao som da música Na Tonga da Mironga do Kaburetê, de Vinicius de Moraes e Toquinho. Um paraíso bem perto daqui.

 Alexandre Herchcovitch: de volta ao passado 

Uma versão enxuta da última coleção do São Paulo Fashion Week, apresentada em junho. Mesmo assim, o estilista brasileiro Alexandre Herchcovitch  deixou Nova York com rasgados elogios vindos de toda parte, inclusive da crítica do  The New York Times.  Começou mudando o local da apresentação já que não participou do line-up oficial da semana de moda e saiu das tendas brancas do complexo cultural do Lincoln Center, onde o evento passou a ser realizado. Com sua origem punk, apresentou o desfile em um galpão escuro na rua 21 no Meatpacking District de Manhattan, onde no século passado funcionava abatedouros e distribuidores de carnes. O lugar pode ter sido meio estranho, mas a coleção foi romântica, com vestidos e saias com cinturas marcadas, cores nudes e beges, que remetiam a um ar retrô das décadas de 1950 e 90, ao estilo ladylake. A suavidade e delicadeza foram ainda mais acentuadas com o resultado de um garimpo valioso. Herchcovitch achou com uma costureira  tecidos de cetim e seda, vintage, estampados, com detalhes brilhantes e bordados. O primor deste material ofereceu requinte e diferença à coleção, que tem nos tecidos a marca do tempo, com suas manchas que tornam peças exclusivas.

Já o desfile da marca de beachwear  Rosa Chá, onde é diretor criativo, foi realizado dentro do calendário oficial do evento.  Para os brasileiros nenhuma novidade. Em Nova York o estilista também levou um poket da coleção já apresentada em São Paulo. As peças misturam vários tipos de tecidos, como lycra com toques acetinados, recortes de tule que revelam delicadamente a pele. As cores passeiam entre o nude e pretos, rosa, cinza e alguns tons de velho, azul e verde. Em alguns momentos aparecem uma estamparia de folhas de tinhorão em gaze indiana e uns florais bem coloridos, pássaros tropicias em tecidos mais estruturados. Um ar bem fetichista para ser usado muito além das praias brasileiras.

 Francisco Costa: a transparência minimalista

À frente da conceituada marca Calvin Klein desde 2003, o brasileiro Francisco Costa fechou os desfiles da Semana de Moda de Nova York com um sentido: o essencial.  A busca por achar o que é simples, contemporâneo, moderno e muito chique foi visto na sua coleção com uma proposta minimalista, cheia de vestidos etéreos de crepe e uma cartela de cores sem muitas variações, indo do nude aos tons de bege, rosado, branco, preto, cinza e off-white. Nada de estampas e de colorido. Apenas sutis transparências que vão se revelando em camadas que deixam  delicadas lingeries à mostra, provocando uma feminilidade poderosa. As referências foram as camisolas com alcinhas, longas e lânguidas, com muito decote amplo.

Os tamanhos dos vestidos apostaram no "mídi", ou seja, com barras numa altura abaixo do joelho e nos longos. As modelagens exploraram cores que acompanham as formas do corpo.  Alguns looks também apresentam entre os materiais o brilho do veludo molhado, tules e rendas e superfícies metalizadas.  Para contrapor a tanta delicadeza,  casacos compridos e curtos, além de paletós retos e alongados inspirados em smokings, como também conjuntos de saias, calças com pernas wide e algumas camisas. Os vestidos longos abusaram ainda mais da transparência, marcando bem mais a cintura com cintos finos que destacavam o corpo. Cabelos soltos, makes naturais. Esta é a mulher Calvin Klein do brasileiro Francisco Costa: simplesmente sedutora sem fazer o mínimo esforço.