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A primavera estampa liberty, liberty...

Com o status de clássico da moda, o floral miudinho está nas vitrines e salpica roupas e accessórios
| Por: Da Redação

Nem é primavera e as florzinhas já brotam por todos os lados.  Não em vasos, jardineiras ou cachepós. Mas, em roupas, sapatos, bolsas, cintos, tiaras... É a estampa liberty enchendo de delicadeza, feminilidade e romantismo as tendências que desabrocham pelas ruas antecipando dias ensolarados com um ar nostálgico. Elas também já ocupam lugar destacado nas vitrines, fazendo-nos esquecer de que o inverno ainda é o "manda-chuva" da temporada.

A estampa de centenas de flores sutis quase sempre envolvidas por uma folhagem miudinha é considerada um clássico da moda. Salpicou roupas de marcas renomadas como Yves Saint Laurent, Cacharel e Jean Muir quando já era uma expressão de bom gosto no início do século 20. E a pequenez está apenas nos detalhes do floral, porque a história que ele conta é tão grande quanto a sólida sede da marca erguida no centro londrino.

O desabrochar da história

Tudo teve início há 136 anos. O floral de ar ingênuo desabrochou na capital inglesa e leva o nome de seu criador, o comerciante Arthur Lasenby Liberty. Foi em 1875, na Regent Street, endereço em que ele abre as portas da loja East Indian House para vender antiguidades, tecidos e artefatos procedentes do Oriente. À época, os produtos têxteis asiáticos impunham forte influência na moda europeia. Principalmente, pela elegância e qualidade das sedas e lãs tingidas com pigmentos vegetais.

Paralela à venda dos tecidos importados que ganhavam o gosto e admiração de um público seleto, Liberty ousou em um estilo próprio. Com a ajuda de artesãos estampou sedas originárias do Japão com flores miúdas que casavam perfeitamente com a moda boêmia e libertária alimentada pelo movimento Pré-Rafaelista, onde um grupo de artistas plásticos ingleses reagia ao classicismo do Renascimento. As telas que pintavam reproduziam um modo de vestir considerado artístico, uma versão simplificada, livre, natural e fluida para as mulheres que desejavam respirar aliviadas, sem o sufoco do corselete.

O estilo Liberty logo se expandiu. Em 1890 o comerciante atravessou fronteiras para também instalar-se em Paris, capital mundial da moda, e a miniatura de suas flores impressas artesanalmente nos tecidos foram tomadas como sinônimo de Art Nouveau (Arte Nova). Um estilo estético presente no design e na arquitetura que manteve laços com a corrente do Arts & Crafts (artes e ofícios em inglês) que defendia o artesanato criativo como alternativa à mecanização da produção industrial do período.

O certo é que a estampa liberty, em sua ingenuidade, é sinônimo da ousadia do seu criador, da arte da época em que teve origem e dos movimentos culturais que mudaram os modos de pensar, agir e vestir. Desde então, ela se faz presente na história da moda e inspira - a cada estação - coleções que nos fazem pensar que a primavera é eterna.