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A bola da vez é o poá

Grandes e pequenas as bolas vão salpicar roupas, sapatos e acessórios. A tendência promete invadir o verão brasileiro e recobrar a cena no inverno europeu.
| Por: Da Redação

Depois de marcar duas temporadas seguidas, a estampa de bichos (animal print) abre espaço para o poá deitar e rolar. Grandes e pequenas as bolas vão salpicar roupas, sapatos e acessórios. A tendência colhida nos anos 50 ficou bem impressa nas passarelas italianas, francesas e americanas desde o inverno passado e anuncia resistência  para continuar nas peças que enfrentarão as baixas temperaturas de novo. Seguindo esse efeito "bola de neve", nosso verão também promete usar e abusar da padronagem.

Algumas marcas já haviam embarcado na estampa com as propostas invernais. Sob o sol, as coleções assinadas por Ronaldo Fraga, Maria Bonita Extra e Alexandre Herchcovitch enquadram o poá com muita sofisticação na  alfaiataria, nas linhas fluidas e nos clássicos que revisitam o passado. Em versão mais atualizada, estilistas trazem as bolinhas em relevo com estampas emborrachadas e aplicações em paetês, pérolas e metal. Na roupa íntima - como da Hope - elas fazem o jogo da sedução com dose de delicadeza e toque ingênuo.

As bolas, poás, petit pois ou polka dots (como também são chamadas) estão relacionadas ao romantismo e feminilidade. Esbanjam ar contemporâneo em meias-calça, terninhos, camisas, jeans, saias e vestidos. Não existem muitos segredos em harmonizar as roupas que exibem a estamparia cheia de efeitos óticos pela uniformidade de seu espaçamento. Basta misturá-la a acessórios modernos de cores contrastantes. Sobre clássicos que fundem o branco com preto e marinho, o tom vermelho é infalível. Para ousar: o verde, laranja e fúcsia do color blocking (bloco de cores) ajustam-se perfeitamente! 

Bolas: a estampa rola na história da moda há um tempão

A estampa que é a tendência da hora em todas as passarelas marca presença na história da moda há um tempão. É na década de 50 que o poá consagra-se como identidade no look das pin-ups (mulheres consideradas sex-simbols com um apelo erótico e ingênuo), configurando um estilo pseudoinocente dos anos do pós-guerra e personificado na imagem da atriz Marilyn Monroe. No entanto, há registros que remontam ao uso e origem do poá em um passado bem distante.

Algumas pesquisas de moda creditam o surgimento da padronagem aos imigrantes do leste europeu que desembarcaram na América trazendo nas malas e baús o som da polka. O nome do ritmo musical teria sido associado às bolinhas que salpicavam os figurinos que vestiam, cunhando o termo polka dots que significa poá em inglês.

Até o produtor cinematográfico Walt Disney está associado à paternidade da estampa. Esta hipótese coincide com a criação da personagem Minnie Mouse, em 1928, quando ele pesquisou catálogos de moda e prescindiu das listras e xadrezes para vesti-la. Queria algo diferente e a ratinha ficou mundialmente famosa em seu look inocente de poás.

Entre tantas histórias que remetem à criação da padronagem, o certo é que a música "Itsy bitsy teenie wennie yelow polka dot bikini", do cantor americano Brian Hyland, transformou-se em clássico do pop em 1960 e notabilizou a estampa de bolinhas. Cantada em alemão, francês e italiano, a versão chegou ao Brasil como "Biquíni de bolinha amarelinha". Na voz de Cely Campelo foi um grande sucesso nas paradas musicais, principalmente porque integrava a trilha sonora da novela global Estúpido Cupido (de Mario Prata), veiculada em 1976.