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O olhar sob o traço dos anos dourados

Além da roupa, a inspiração retrô também recupera a estética da maquiagem dos anos 50
| Por: Da Redação

Nada é mais marcante no rosto das mulheres dos anos 50 do que o olhar. Nas publicidades, revistas de estilo e fotos das personalidades da época os olhos concentram o foco da expressão. Na palidez da pele perfeita assumem destaque e falam com poder e intensidade. Os cílios alongados com máscaras - ou duplamente volumosos com cópias postiças - têm a retaguarda do traço ascendente do delineador. Feito de forma quase caligráfica a pintura realça a beleza e expressa sofisticação. O resultado é uma moldura artística. A mesma que agora ocupa lugar na cena estética, sem dar sinais de que andou adormecida e fora de circulação.

No movimento que cultua a moda e o design retrô, o marketing da indústria cosmética também conecta as mulheres do século 21 aos ícones de beleza que ignoram a passagem do tempo, eternizadas como símbolos de sensualidade. A inspiração volta cerca de 60 anos para encontrar no cenário de Hollywood os olhos de atrizes como Marilyn Monroe, Audrey Hepburn e Elizabeth Taylor. As divas atuaram nas telas como verdadeiras "garotas propaganda" dos produtos de maquiagem que deram adeus aos tempos de escassez do pós-guerra e justificaram um arsenal interminável de sombras, lápis, rímel e delineadores.   

A lista das adictas da máscara de pestanas e dos delineadores que imprimem uma linha de mistério e exotismo ainda guarda o nome da modelo americana Peggy Moffitt. Ela estabeleceu a revolução da maquiagem no final dos "anos dourados" pelo uso extravagante do eyeliner. O segredo? O traço rotundo conduzido habilmente até a curva da pálpebra, reproduzindo o desenho da maquiagem exagerada do teatro japonês kabuki, onde os excessos escondiam homens travestidos de mulheres proibidas de subir ao palco. Moffitt soube interpretar essa força e deixou sua assinatura. Uma caligrafia perfeita.