Costurando Idéias

/A cultura de moda alinhavada com história, sustentabilidade e comportamento

Os diários iconográficos de Peter Beard

O livro do fotógrafo nova-iorquino, relançado pela editora Taschen, é uma coletânea dos anos dedicados a registrar a África com uma estética particular
| Por: Raquel Medeiros

O hábito dos diários na infância resiste à vida adulta. O registro textual mescla-se à paixão pela fotografia que é verdadeiramente responsável pela escrita do seu nome no meio artístico. Peter Beard, nova-iorquino nascido em 1938, fotografa a efervescência da moda nos anos 60 e descobre a África como paisagem e contexto que redimensiona seu trabalho. Por trás das lentes seu olhar enquadra a ameaça à vida selvagem e os conflitos impulsionados pelas mudanças políticas e a explosão demográfica em áreas até então intocadas. As imagens carregam uma estética particular forjada na intervenção com colagens, manuscritos e desenhos. As cenas impactantes, pela segunda vez, estão reunidas em livro publicado pela editora Taschen.

As fotografias de Beard foram além dos editoriais de moda em cenários exóticos. O foco no território africano - marcado por largas estadias no Quênia (lugar que escolheu para morar), Ruanda, Uganda e Congo documentam as viagens despertas pela leitura dos relatos da dinamarquesa Karem Blixen, no livro Den Afrikanske Farm (1937). Através das imagens ele compôs verdadeiros diários ilustrados que denunciam o extermínio dos animais pelos safaris e a morte de comunidades entregues à sorte das doenças e da fome. Em algumas colagens, destacam-se escritos à mão com sangue animal que roubam a atenção do leitor. Publicado originalmente em 2006, na série Colecionador da Taschen, o livro esgotou-se rapidamente e conquistou a crítica especializada de várias partes do mundo. A nova edição já está à venda, em dois volumes, com introdução assinada pelo crítico de fotografia Owen Edwards.