Costurando Idéias

/A cultura de moda alinhavada com história, sustentabilidade e comportamento

Os rumos da indústria da moda sob a influência das bases de dados digitais

O grande volume de dados disponíveis através da Internet consolida o conceito do "Big Data" com poder de influenciar decisões e escolhas do consumidor
| Por: Da Redação

O cenário global está mapeado em números. Em escala cada vez maior a informação digital reproduz predileções, desejos de consumo e necessidades em uma linguagem dominada pelos algoritmos. Na era da revolução tecnológica - que faz os dispositivos móveis parecerem extensões do corpo humano - há uma infinidade de serviços e produtos personalizados prontos para serem digeridos pela instantaneidade. O armazenamento de dados disponível através da Internet consolida o conceito do "Big Data" com poder de influenciar decisões e oferecer respostas como um relevante "oráculo" do século 21. As previsões cobrem todos os setores e a indústria da moda também mergulha nessa tendência.

O Big Data é o componente que azeita a engrenagem da economia da informação, construindo prognósticos capazes de definir padrões, similaridades e perspectivas que auxiliam o consumidor a fazer escolhas. Esse caráter modificador da digitalização de dados está no livro "Big Data: A revolução que vai transformar a maneira como vivemos, trabalhamos e pensamos", dos autores Viktor Mayer-Schönberger (professor de governança e regulamentação da Internet na Universidade de Oxford) e Kenneth Cukier (jornalista e editor de dados do semanário inglês The Economist). Em recente entrevista ao site Business of Fashion, Schönberger destaca como esse volume de dados  pode trazer implicações ao mercado da moda.

2,5 quintilhões de bytes por dia

Em uma análise rápida, ele situa a geração e armazenamento de registros digitais. Tomando como base as pesquisas do Google e os sinais de GPS aplicados às transações e atualizações de mídias sociais, o especialista em Internet afirma que a sociedade da informação produz aproximadamente 2,5 quintilhões de bytes de dados a cada dia. Em paralelo, colaboram a inclusão digital, as plataformas de armazenamento acessíveis e a pulverização de novas tecnologias. O cenário potencializa uma leitura cada vez maior de informações traduzidas em conhecimento e cria atualizadas formas de valor.  

Mesmo em categorias como a moda, onde as demandas comportamentais do consumidor são imprecisas, o co-autor de Big Data explica que a base de dados digital pode ser relevante como ferramenta. Citando grandes redes de varejo como exemplo, ele enfatiza o modo como as informações são captadas para voltar estratificadas e abastecer o mesmo setor: "através de cartões de fidelidade e outros métodos capazes de coletar uma quantidade impressionante de informações sobre o que as pessoas compram - marcas, tamanhos, tipos, cores, estilos - e quando e onde comprar. Esta informação é usada para a transação e pagamento, repovoamento e gestão de estoques, e, no melhor dos casos, para a promoção de vendas e cupons".

Informação é matéria-prima

Na era em que a informação é matéria-prima e insumo vital para os negócios, os altos custos e a complexa execução da coleta de dados - com preferências reais direcionadas à moda - estão em transição. "A previsão de demanda dos consumidores por moda tem sido o domínio dos auto-intitulados "especialistas", grupos focais e modelos relativamente simples baseados em pequenos dados", argumenta Viktor. Ele ressalta que a mudança acontece quando o valor dos dados não se esgota na finalidade que motivou a coleta inicial; mas, nos fins adicionais que sequer foram percebidos à época em que as informações foram colhidas.

Sob esse prisma, Viktor é categórico em relação aos novos rumos da indústria da moda, à medida que a análise de dados sobre as interações das pessoas e suas preferências individuais tornem-se mais transparentes. "Cada aspecto do negócio vai mudar, a partir da cor que será usada na próxima temporada, de como fazer roupas que se encaixem em diferentes tipos de corpo e de como otimizar as cadeias de fornecimento", declara ao Business of Fashion. No entanto, adverte que a moda não vai sucumbir apenas aos números e prescindir do design inovador e das ideias originais que seduzem o consumidor. "A intuição não vai competir com dados sobre o que são as preferências dos clientes. Em vez disso, ela será necessária precisamente porque os dados nunca poderão contar a história completa; a surpresa e o acaso são fundamentais para a natureza humana", pondera

Viktor Mayer-Schönberger e Kenneth Cukier, autores de "Big Data: A revolução que vai transformar a maneira como vivemos, trabalhamos e pensamos" (Fotos: reproduções)