Costurando Idéias

/A cultura de moda alinhavada com história, sustentabilidade e comportamento

A ilustração luxuosa de René Gruau

A editora Assouline compila as silhuetas masculinas de um dos maiores ilustradores de moda
| Por: Raquel Medeiros

O talento, a elegância incomparável e a exaltação ao luxo.  Seu nome se entrelaça às grandes marcas de moda e publicações do setor. Renato Zavagli Ricciardelli delle Caminate (1909-2004) compacta sua assinatura para René Gruau  e a multiplica em centenas de ilustrações comerciais ao longo de uma carreira de linhas delicadas e vertiginosas que o denunciam pelo estilo ímpar. Uma de suas marcas é o esboço da figura masculina enquanto sinônimo de bom gosto, sensualidade e resgate do new dândi. Tamanha contribuição à moda está agora compilada em uma publicação da editora Assouline. Intitulada "Gruau: portraits of men" e com autoria de Réjane Bargiel e Sylvie Nissen, o livro reproduz as silhuetas dos senhores que passaram a povoar o marketing da moda em um tempo dominado pela figura feminina.    

O traço com caneta e pincel delineia o mito. Aos 17 anos, as ilustrações carregadas de força e sensibilidade transportam Gruau - um franco-italiano - às prestigiadas páginas de Marie-Claire, Le Figaro, Vogue, Elle, Harper Bazaar, Club e Sir. Estilistas da importância de Pierre Balmain, Jacques Fath, Balenciaga, Rochas, Elsa Schiaparelli, Lanvin, Elizabeth Arden e Hubert de Givenchy  também estão na carreira de um dos mais importantes ilustrador comercial das casas de moda ao longo de décadas. No entanto, seu nome está intrinsicamente ligado a Christian Dior pelos inúmeros trabalhos realizados a partir do lançamento do New Look, em 1947.  

Na arte de conceder vida às roupas da alta-costura - através da ilustração - Gruau amplia sua popularidade pela abordagem original.  A qualidade do seu desenho empresta à peça de vestuário o luxo visual que redimensiona o marketing da época. O mesmo que também acaba estampando as campanhas de empresas como Air France e Martini, além dos icônicos cartazes para o Moulin Rouge e o emblemático filme de Federico Felline, La Dolce Vita (1959).  Diante de cada criação é possível respirar certo perfume da belle époque do pintor Toulouse-Lautrec. Vivacidade, frescor e ousadia que são parte integrante da história da moda , antes da fotografia borrar o papel e o poder da ilustração.