Costurando Idéias

/A cultura de moda alinhavada com história, sustentabilidade e comportamento

O erotismo sobe o tom: “Dormimos juntos?”

Andrea Hoyos, uma publicitária espanhola, escreve seu relato erótico e desbanca as vendas dos "Cinquenta tons de cinza" na página de Amazon
| Por: Da Redação

Quando muitos curiosos ainda correm às livrarias para descobrir os "Cinquenta tons de cinza" da trilogia que está na moda, outro fenômeno editorial com uma receita erótica tórrida desbanca os números das vendas digitais de Amazon  (15 milhões de cópias) empilhados com o relato da britânica Erika Leonard James.  O jornal espanhol El País trouxe no dia 15 de outubro a matéria da jornalista Noelia Ramírez com a então desconhecida escritora Andrea Hoyos, autora do novo bestseller intitulado "Dormimos juntos?".  A pergunta que tomou de surpresa o mercado literário vem seguida de respostas que fazem desbotar a paleta da trama mais badalada dos últimos tempos.

Anônima e sem experiência no mundo editorial, a publicitária de 37 anos abre a matéria com uma declaração ácida contra o livro de James e nele, o impulso para sua aventura como escritora. "Escrevi 'Dormimos juntos?' porque estava aborrecida. 'Cinquenta tons de cinza' vendeu 15 milhões de cópias e é um livro ruim em todos os sentidos. Especialmente dois deles me indignam: não tem nenhum valor literário, nem vital", arremata. Na entrevista exclusiva ao El País ela não economiza palavras para demonstrar sua irritação e vai mais além com as críticas: "Me parece um texto pobre, limitado, desnorteado, paternalista, idiota... Creio que o problema de 'Cinquenta tons de cinza' é chamá-lo de literatura: é um conto de fadas com penetração, roupa de marca, técnicas sadomasoquistas e pouca psicologia. Nós mulheres não somos assim, não queremos assim, não nos excitamos assim. Somos de mil maneiras distintas, cada uma diferente, mas não dessa maneira".

Noelia Ramírez enfatiza que Hoyos faz soar seu nome no universo literário aplicando elementos da mesma fórmula erótica contida nos "Cinquenta tons de cinza": homem poderoso e rico, mulher fascinada por seus encantos e aventura ardente. No entanto, mantém distância dos "estereótipos banais" que James utiliza na relação entre Anastasia - a jovem recatada de 21 anos - e o multimilionário Christian Grey. "Queria comprovar se era possível fazê-lo de outra maneira. Se você tem que escrever sobre sexo para vender e para que as pessoas leiam, que escreva; mas, que seja bem escrito. Se coloca dor, se coloca sonhos, se coloca talento, se coloca sexo, se coloca pele e se coloca verdade", argumenta Hoyos.

No relato da escritora espanhola, não há espaço para a virgem naif perdidamente apaixonada pelo homem maduro e controlador. O mesmo que impõe uma assinatura contratual que lhe permite domínio total sobre a vida da moça, sobretudo dominação sexual. "Em 'Dormimos juntos?' o sexo, o desengano e os devaneios entre quem toma o poder de uma relação são terrenos, onde a protagonista Andrea (o mesmo nome da publicitária), move-se com facilidade", narra a reportagem.

"Andrea tem (como eu) 37 anos. Se a essa idade fosse una virgem recatada, se não tivesse fodido, seria una marciana ou una enferma", conta a autora ao El País. Ela ainda reforça que sua heroína é uma mulher que viveu, que amou, que foi abandonada e que sabe que um homem não significa tudo na vida. Ainda assim, uma mulher que não desiste do amor apesar dos desapontamentos. Hoyos assegura que o seu livro apresenta uma história adaptada aos tempos que desafiam os arquétipos simplistas e redentores que saltam de algumas ficções literárias. "Dormimos Juntos?" já supera em poucas semanas os três títulos de James. Sem publicidade, sem mídia e batismo de "fenômeno editorial dos últimos tempos". Apenas com as recomendações dos amigos nas redes sociais e agora, com o boca a boca.

 

Fonte:  La española que destronó a 'Cincuenta sombras de Grey'