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Arte iminente na 30ª Bienal de São Paulo

Cerca de 3 mil obras de 111 artistas compõem a mostra que fica aberta à visitação até dezembro
| Por: Raquel Medeiros

Arte múltipla com interfaces diversas abastecidas pelos desejos e sentimentos de seu criador. Arte contemporânea que silencia, causa hesitação, conecta perspectivas e produz diálogos eloquentes sobre as experiências e pensamentos humanos. Intitulada "A iminência das Poéticas", a 30ª Bienal de São Paulo excede o espaço do Parque Ibirapuera e faz da capital paulista território cultural. Serão 94 dias - entre 7 de setembro e 9 de dezembro deste ano - de exposições  que concentram aproximadamente 3 mil obras de 111 artistas nacionais e estrangeiros. A mostra principal ocupa o Pavilhão Ciccillo Matarazzo, enquanto outras manifestações artísticas ganham refúgio em museus, instituições e na própria Avenida Paulista.

Na tradução do curador da Bienal, o venezuelano Luis Pérez-Oramas, a iminência representa "o que está a ponto de acontecer, a palavra na ponta da língua, o silêncio imprevisto que antecede a decisão de falar ou de não falar, a arte como estratégia discursiva e a poética em sua pluralidade e multiplicidade", esclarece o também diretor de arte latino-americana do MoMA (em Nova Iorque) na página oficial do evento. Distante de ser ortodoxo, o repertório das poéticas abre um campo disciplinar de coerência que transita entre intuição e tradição para estabelecer plataformas discursivas revestidas de caráter artístico.

A diversidade das poéticas foi pensada de forma articulada para que obras e artistas conversem entre si. O conceito de constelações convergentes distribuídas no pavilhão parte do pressuposto de que uma obra de  arte isolada não produz sentido. O recurso objetiva aguçar a percepção complementar das produções artísticas com um dispositivo que conduz à coerência e significação. Dentro dessa proposta o ineditismo marca o evento com aspectos bem representativos: 50% das obras foram produzidas para a mostra e 45% dos artistas são da América Latina.  

Homenagem a Bispo do Rosário

Motivada pela "Iminência das Poéticas" a Bienal rende homenagens a Arthur Bispo do Rosário (1911-1989). O artista sergipano de Japaratuba que viveu 50 anos sob os tetos manicomiais é considerado símbolo da arte contemporânea brasileira. Seu trabalho urdido na linha tênue entre o real e imaginário goza do reconhecimento de críticos do mundo inteiro que traçam um paralelo da obra com a arte conceitual do francês Marcel Duchamp. Sob o diagnóstico de esquizofrenia paranoide Bispo criou um universo de ressonância linguística do mundo ao seu redor sem intenções de integrar o circuito das artes. A produção ininterrupta entre os "muros da loucura" responde por mais de 800 obras que estão aos cuidados do Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea, na capital carioca.

Na mostra, as peças do "artista do fio" - referência à força dos bordados utilizados como ferramenta discursiva que retratam o inventário de objetos inerentes à vida terrena - se relacionam com obras que também usam técnicas têxteis e bordadas.  Produções como as realizadas pelas americanas Sheila Hicks e Elaine Reichek. Diálogos iminentes de poesia costuradas, escritas e atadas a sentimentos expressos na forma de arte. Parte da linguagem híbrida do mundo contemporâneo que a Bienal convida a exercitar. 

Depoimento de Luis Pérez-Oramas, curador da Bienal

 

 

Matéria Relacionada: A iminência poética de Bispo do Rosário na Bienal

Serviço:

30ª Bienal de São Paulo - A Iminência das Poéticas

De 7 de setembro a 9 de dezembro de 2012

Pavilhão Ciccillo Matarazzo, Parque Ibirapuera, São Paulo, Brasil

Entrada Gratuita

http://www.bienal.org.br