Costurando Idéias

/A cultura de moda alinhavada com história, sustentabilidade e comportamento

A escultura têxtil de Madame Grès

Uma retrospectiva evidencia os 50 anos do trabalho da estilista que esculpiu tecidos
| Por: Da Redação

O desejo de ser escultora foi envolvido pelos tecidos. Mas, não foi sufocado. A talhadeira essencial à função que vestia seus sonhos cedeu passo à agulha e linha... Assim, Germaine Émilie Krebs ou Madame Grès (1903-1993) - como ficou conhecida no mundo da moda - criou vestidos drapeados, clássicos e atemporais com o mesmo status de obras de arte para contemplação. Beleza e técnica resultantes de uma carreira de 50 anos que podem ser vistas no Mode Museum (Momu), em Antuérpia (Bélgica), entre 12 de setembro deste ano e 10 de fevereiro de 2013. A exposição é uma iniciativa do Galliera - Musée de la Mode de Paris.

A história da mestra da alta-costura parisiense começa nos anos de 1930 e mantém a linearidade criativa até a década de 1980. A assimetria, os volumes e as formas habilmente construídas com os drapês são avessos a modismos e têm uma assinatura particular pela aparente simplicidade que esconde precisão e domínio quase sem intervenção da tesoura. O requinte dos vestidos e casacos em sua maioria monocromáticos e modelados no corpo vestiu mulheres como a Duquesa de Windsor, Grace de Mônaco e Jacqueline Kennedy, além de estampar revistas importantes através das lentes dos fotógrafos Richard Avedon, Guy Bourdin, Cecil Beaton e Henry Clarke.

Obstinada, perfeccionista e além dos modos do seu tempo, Madame Grès atingiu a notoriedade que faz de sua obra arquivo da própria história da moda. Mais do que referência para seus contemporâneos - entre eles Hubert de Givenchy - estabeleceu conceitos tomados pelas gerações de criadores que a sucederam. Ainda hoje, tamanha expressão impulsiona estilistas a citarem seu trabalho enquanto fonte de inspiração. Entre eles, Azzedine Alaïa, Alber Elbaz, Yohji Yamamoto, Jean Paul Gaultier e Haider Ackermann.

Grès nunca abandonou a pesquisa minuciosa dos drapeados e fez prevalecer o sonho de esculpir peças maleáveis que traduziam a frase marcante e repetida inúmeras vezes ao longo de sua trajetória como designer: "Eu queria ser escultora. Para mim, trabalhar o tecido ou a pedra é o mesmo".  Para os apaixonados pela arte e moda a retrospectiva dedicada à designer é a oportunidade de apreciar esboços e desenhos originais e, claro, verdadeiras esculturas em jérseys de seda e tafetá.