Costurando Idéias

/A cultura de moda alinhavada com história, sustentabilidade e comportamento

Tribos urbanas inspiram a moda da aldeia global

Estética, linguagem e atitudes identificam as tribos do asfalto que influenciam o mercado da moda
| Por: Da Redação

Dos punks dos anos 70 às lolitas contemporâneas, as "tribos urbanas" assinalam territórios. Entre atitudes, gostos, performances e usos do corpo, apoiam-se no vestuário como canal de composição identitária. Na diferença que formata certa unidade coletiva, forjam uma rebelião que contrasta com o individualismo da sociedade pós-moderna. São modelos de interlocução social, com códigos de pertencimento - principalmente entre adolescentes - que projetam influências importantes nos movimentos de cultura de moda.   

O sociólogo francês, Michel Maffesoli, usou a definição "tribo urbana" ainda na primeira metade dos anos de 1980 para logo aprofundar a discussão sobre a organização dos grupos sociais com a publicação O tempo das Tribos (1988). Na abordagem sobre a predominância de uma nova forma de apresentação estética e comportamental de indivíduos nas grandes metrópoles, ele também trouxe à tona uma análise sobre a "unissexualização" evidenciada na forma ímpar de vestir.

Em trânsito contínuo, as manifestações dos grupos acompanham o fluxo das novas tecnologias e bens de consumo. Um processo de retroalimentação que acaba por influenciar a vestimenta, a linguagem e a própria produção cultural. A jornalista, pesquisadora em questões de gênero e doutora em sociologia, Margarete Almeida, explica que a moda em seu caráter provisório e identitário configura um dos maiores mecanismos de expressão da cultura urbana dentro dos movimentos juvenis que constituem as tribos. "Com seus códigos de pertencimentos, vão buscando sentido e comunicação com o mundo através da sua indumentária, como possibilidade de contestação ou aceitação em determinado grupo", enfatiza.

Notadamente, a ousadia e irreverência dos tribalistas do asfalto como os new hippies têm abastecido a indústria da moda. Margarete lembra que a imagem criada livremente pelas tribos através do vestuário, acaba sendo absorvida pelo mercado enquanto produto, banalizando a força e valor simbólico dos signos para aquele grupo. "É como hoje vemos as caveiras, tidas como ícone da tribo punk, ganhando outro caráter que é o fashion. Massificada, ficou esvaziada do conteúdo de significação da tribo que a adotou, prevalecendo apenas como elemento do mundo da moda", argumenta a pesquisadora.