Costurando Idéias

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Em algum lugar do passado

As indicações à estatueta de melhor figurino estão ambientadas em décadas passadas
| Por: Da Redação

A tradição dos filmes de época continua sendo o fio condutor na escolha dos candidatos ao Oscar 2012 na categoria Melhor Figurino. No dia 26 de fevereiro, em Los Angeles, o maior prêmio do cinema mundial dita a moda e faz a festa. Para além do tapete vermelho e das tendências das grandes estrelas é a segunda pele dos personagens - através de suas vestes - que continua fazendo a história da sétima arte. Este ano a disputa está concorrida e com características em comum: não há indicados com figurino contemporâneos. Todos se ambientam desde a Inglaterra de Shakespeare (século XVI) ao século XX, em especial a Paris da década de 1930, passando pela Hollywood de 1920.

Os indicados na categoria Melhor Figurino são os filmes: "Anônimos", "O artista", "A invenção de Hugo Cabret", "Jane Eyre" e "W.E.- O Romance do Século". Em algum lugar do passado, imagens e emoção se reconfiguram em narrativas românticas através da criação e composição dos personagens produzidos por designers e figurinistas. Conheça mais sobre o roteiro dos filmes e a produção dos figurinos, faça suas apostas e escolha o seu favorito. "And the oscar goes to..."

 Indicados e indicações

O Artista: O maior candidato ao Oscar de Melhor Figurino é uma produção francesa, dirigida por Michel Hazanavicius. Uma homenagem ao cinema mudo, todo fotografado em preto e branco e sem nenhuma palavra falada. A magia e glamour dos anos 20 e 30 contam a história de prestígio do astro do cinema George Valentin e seu caminho ao ostracismo depois do surgimento do cinema falado. Narra também a ascensão da atriz Peppy Muller que faz de tudo para resgatar a carreira do seu  amado enquanto se transforma em uma grande estrela do cinema. Para vestir estes personagens esteve à frente Mark Brigdes, conhecido por filmes "Boogie Nights" e "O vencedor". Com figurino primoroso, a criação e pesquisa foram de encontro às peças ícones das décadas, como os smokings, cartolas, vestidos melindrosa, chapéus cloche, muitas texturas e brilhos. Tudo isso com um requinte que ninguém lembra da ausência de cores.

A Invenção de Hugo Cabret: O filme do prestigiado Martin Scorsese fala de um garoto de 12 anos, órfão, que passa a viver com um tio relojoeiro que mantém os ponteiros dos relógios sempre intactos. Hugo vai morar sozinho depois do desaparecimento do tio e percorre uma série de aventuras para sobreviver, encontrar o tio, manter os relógios funcionando e realizar seu projeto de construir um robô. À frente do figurino desta produção ambientada nos anos 30 está Sandy Powell, figura carimbada do Oscar com 10 indicações, dos quais já levou três estatuetas pelos figurinos dos filmes "O Aviador", "Shakespeare Apaixonado" e "A Jovem Rainha Vitória". É um das grandes favoritos ao prêmio, apesar de haver encontrado grande dificuldade pelo fato da filmagem ser toda em 3D, o que amplia nas roupas detalhes que não podiam aparecer imperfeitos. Além disso, Powell vestiu centenas de figurantes com o mesmo primor que dedicou aos personagens principais. Tudo isso para dar veracidade à história.

Anônimo:  Mais um filme da "verdadeira" história de William Shakespeare, desta vez na versão do diretor Roland Emmerich. O cenário é a Inglaterra do século XVI, na era da Rainha Elisabeth I, cheia de intrigas políticas pela sucessão e romances secretos. O filme levanta uma  teoria conspiratória de que as peças de William Shakespeare tenham sido escritas pelo Conde de Oxford Edward de Vere.  Quem realizou um figurino impecável  bem ao gosto da Academia foi a estreante ao Oscar, a alemã Lisy Christl. Seu maior entrave foi dar o tom de pintura antiga às indumentárias dos personagens, permeados de cores escuras e terrosas. Presença clássica de peças como espartilhos, gibões, braguilhas, rufos e chapéus, além de elementos militares em alguns momentos. O figurino é predominantemente masculino, com exceção à Rainha Elizabeth I, responsável pelas roupas mais luxuosas e ornamentais.

Jane Ayre: A história é clássica da literatura inglesa, baseada no livro de Charlotte Brontë em 1847. Com diversas adaptações no cinema e na televisão, esta nova versão dirigida por Cary Fukunaga está centrada nos sentimentos obscuros dos personagens. Ambientado no século XIX, conta a história da governanta e preceptora que se apaixona por seu chefe grosseiro. No dia em que o patrão vai se casar ela descobre que ele esconde um segredo sombrio. Em se tratando de figurino este é outro candidato que segue à risca o gosto da Academia de Hollywood. Michael O'Connor, ganhador do Oscar em 2008 pelo filme "A Duquesa", é  conhecido por suas produções de época luxuosas e opulentas. Desta vez a produção inglesa fez do figurino a alma de seus personagens, tanto das angústias das crianças do orfanato como a seriedade e repressão da aristocracia rural inglesa.

W.E. -  O Romance do Século:  A cantora Madonna dirige a história de amor entre o Rei Eduardo VIII, que abdica do trono para casar com  a americana divorciada Wallis Winthrop. Ambientado na década de 30 a narrativa escapa para 1988, cruzando o romance entre uma mulher casada e seu segurança russo, que busca entender e se inspirar no "romance do século". No figurino quem surpreende é a stylist pop Arianne Phillips - que veste Madonna há decadas - e outras dezenas de celebridades americanas. O guarda-roupa apurado da personagem de Wallis Simpson, vivida por Andrea Riseborough, apresenta mais 80 vestidos, entre os quais vários de marcas como Balenciaga, Christian Dior, John Galliano, Vionnet e Issa, além de joias Cartier e chapéus Stephen Jones. Este figurino pop está em editorial da revista americana Vanity Fair.