Costurando Idéias

/A cultura de moda alinhavada com história, sustentabilidade e comportamento

Temporada sustentável nas próximas estações

É cada vez maior o número de marcas de moda adeptas à sustentabilidade
| Por: Da Redação

Seguindo a tendência mundial de preservar o planeta, o mercado da moda vem adaptando-se às demandas do consumo consciente. Entre os quatro segmentos industriais que mais utilizam recursos naturais, o têxtil está se realinhando ao apelo de consumidores mais exigentes com o que usam. A moda verde pede passagem no guarda-roupa e as marcas e estilistas sinalizam possibilidades para produtos orgânicos, menos poluentes e mais justos dentro da cadeia produtiva.

Em realidade, há muito tempo que está na moda falar de sustentabilidade. A Declaração de Estocolmo (Suécia), em 1972, resultante da Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente Humano foi o primeiro traço do croqui que daria corpo ao conceito que está tão em evidência. Na ECO - 92, no Rio de Janeiro, a Cúpula da ONU consolidou na Carta da Terra a ideia de desenvolvimento econômico com ética e respeito à natureza. Um molde essencial que vem sendo ajustado para que as futuras gerações vistam-se de todas as suas necessidades.

No universo da moda a sustentabilidade incorpora o termo upcycling. A designação significa a reinserção de materiais nos processos produtivos para criar novos produtos. As marcas estão apostando fundo na reutilização de sobras de tecidos e fibras nos galpões industriais, além de objetos descartáveis como as garrafas pet que retornam 100% na forma de um tecido para a moda verde. A meta é evitar o desperdício de material com potencial de utilidade e economizar energia com a produção de matéria-prima.

 O ciclo sustentável na passarela

A tendência sustentável aportou a todo vapor nas passarelas da moda brasileira. Do Fashion Rio ao São Paulo Fashion Week realizados em janeiro deste ano, foram exibidos sapatos, roupas e acessórios que trazem nas etiquetas as referências de novos conceitos e materiais que estão resultando de pesquisas tecnológicas. O estilista João Pimenta, por exemplo, teceu literalmente o conceito upcycling na coleção outono-inverno. Da elaboração artesanal em teares ele compôs um mesmo tecido na junção dos fios que havia disponíveis reciclando sobras de viscose, algodão e poliamida. As peças de alfaiataria únicas em cores e texturas ficaram ainda mais valorizadas.

Alexandre Herchcovitch também colocou o pé na estrada da sustentabilidade. A coleção invernal apresentada para o público masculino no São Paulo Fashion Week  trouxe malhas sustentáveis  produzidas com resíduos da indústria têxtil e de garrafas pet. Os novos tecidos surgem da tecnologia inovadora da empresa EcoSimple que não desperdiça  as cores originais dos resíduos. A pigmentação está presente em regatas, camisetas, calças e bermudas. Cada metro fabricado elimina 480 gramas de resíduo têxtil e retira oito garrafas pet do meio ambiente.

O jeans também pode ser etiquetado de geração upcycling. A TNG apresentou peças criadas com fibras 100% recicláveis desenvolvidas a partir de sobras de indústrias de confecção e garrafas pet. O conceito ainda apareceu nos óculos de acetato feitos de restos das embalagens típicas de água e refrigerante. O reaproveitamento de material pela grife foi total com bolsas, sapatos e cintos feitos de raspas de couro. Iniciativas que provam que é possível fazer moda com muito estilo. Principalmente, o estilo de vida consciente.