À Moda da Casa

/ A moda com tempero paraibano

Estampa Fina: paraibanos marcam presença na Indigo Paris 2011

Dyógenes Chaves e Romero Sousa levam criações em estamparias para a maior feira de design têxtil do mundo e entram no mercado internacional de moda
| Por: Da Redação

A mais importante feira de design têxtil e criação do mundo vai contar com a  estamparia paraibana. Os designers paraibanos Romero Sousa e Dyógenes Chaves fazem parte dos seis selecionados brasileiros que irão participar do Índigo Paris 2011, evento que integra o Première Vision Pluriel, a ser  realizado  de 20 a 22 setembro, no Parc d´Expositions Paris Nord Villepinte. A feira recebe em média mais de 50 mil visitantes e conta com o trabalho de 180 representações internacionais.

O convite para participação veio através de Geni Ribeiro, consultora em Adequação de Produto e Desenvolvimento Criativo do Programa TexBrasil, em ocasião da Semana de Moda promovida pela Estação da Moda da Prefeitura Municipal de João Pessoa. Na ocasião de sua passagem pela Paraíba, Geni ficou conhecendo o trabalho de estamparia desenvolvido pelos paraibanos por meio da designer Francisca Vieira, representante da Natural Cotton Color, que apresentou os portfólios dos artistas como representantes da produção local.

 A criatividade e qualidade dos trabalhos foram tanta que a consultora Geni Ribeiro resolveu enviar a arte paraibana para aprovação neste evento internacional. Não deu outra: a Texbrasil, programa de apoio à exportação desenvolvido pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e Confecção (ABIT) e Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasi) confirmaram a seleção dos paraibanos.

As flores de Romero

Designer da Natural Cotton Color e diretor da Estação da Moda, Romero Sousa apresentou o resultado de sua pesquisa em estamparia que vem desenvolvendo há muitos anos em suas marcas. Na mala leva muito da arte e da cultura paraibana em mais de 150 estamparias diferenciadas. "Tentei abranger o nosso universo com referências culturais através da valorização da arte popular, do artesanato, como também da arte contemporânea. Desta maneira espero contribuir para visibilizar a identidade regional de onde estamos inseridos", reflete Romero.

As estamparias do designer trazem variações de florais presentes no artesanato popular, como as feitas pelos artesãos em madeira, palha de milho, cerâmica, entre outros materiais. Da arte popular podemos conferir também as releituras das capas dos livretos de cordel, dos brinquedos populares, da renda renascença, do grafite e da arquitetura das ruas de João Pessoa. "Tudo isso em uma visão atual, mesclando informações do popular com o que temos de mais moderno em nossa arte", reforça. Um destes trabalhos é interpretação para estamparia das obras dos artistas plásticos contemporâneos paraibanos José Rufino, Alessandra Lessa, Davi Queiroz e Sidney Azevedo.

Para incentivar o processo de profissionalização dos novos designers paraibanos, Romero Sousa contou com uma equipe para dar vida à sua criação, convidando estudantes e profissionais ligadas à moda para junto com ele desenvolver as estamparias digitais. Participaram desta empreitada Fabíola Beltrão, Luziane Lima, Suenia Gomes, Beth Paz e Manuela Leite.

As estamparias serão levadas para exposição em diversos materiais, como catálogos digitais, impressas no papel e em tecido. "Minhas expectativas são as melhores possíveis porque já tenho experiências anteriores, como a Feira de Prêt-à-porter de Paris em 2007, onde pude perceber o interesse cada vez maior para produção brasileira pela sua diversificação de temas e regionalidade", informa Romero.

 Os parafusos de Dyógenes

 Dyógenes Chaves é artista visual, designer gráfico, crítico de arte e é conhecido internacionalmente pelo seu trabalho, destacando-se no uso das gravuras para serigrafia. Nos últimos anos também tem aliado o uso da estamparia no design de moda, com uma proposta de coleção que leva seu trabalho autoral em pinturas. Ele também repassa seu conhecimento em serigrafia e é atualmente professor do Unipê, no curso Design de Moda, além de dar constantes workshops, oficinas, palestras sobre arte contemporânea. Para ele hoje não há como pensar moda sem estamparia. "Em minha opinião dois aspectos são fundamentais na moda: o corte e a estampa. E isso só demonstra que os designers de imagens e estampas estão na ponta da busca de uma identidade na moda", defende. 

Para participar desta edição da feira internacional, Dyógenes Chaves preparou cerca de 50 famílias de estampas, com suas variantes de cores e dimensões. "Estas estampas são fruto das pesquisas gráficas que venho realizando há pelo menos uns quinze anos, principalmente, oriundas da minha atuação como artista plástico. E retratam mesmo meu imaginário de 'pescador' de imagens", comenta. Para dar vida à arte, Dyógnes se deteve em materiais que passam despercebidos no cotidiano, como os pregos e parafusos. Inspirou-se também nos rabiscos da sua filha de onze anos até referências da flora brasileira ou as figuras insculpidas da pedra do Ingá. "Acho que isso atesta a grande versatilidade e riqueza do imaginário brasileiro", acredita o artista.

Como é a primeira vez que designers brasileiros apresentam estampas para a indústria de moda em um evento internacional de maior porte, Dyógnes Chaves acredita que o fato se deve a importância da ocupação da moda brasileira no cenário mundial. "É de se imaginar que os designers brasileiros terão, neste evento, uma excelente vitrine para apresentar suas criações. A partir desta edição da Índigo Paris novos cenários e possibilidades surgirão. Só o fato de estar participando da mais importante feira de moda do planeta e representando o Brasil, ao lado de apenas outros cinco designers, já traduz a felicidade e a esperança de tudo sair a contento", conclui o artista paraibano.

 Première Vision: a moda têxtil se encontra aqui

O Première Vision é uma exposição internacional focada em design têxtil, especificamente em tendências de tecidos, cores e fios. É hoje considerada e reconhecida internacionalmente de grande importância para a indústria da moda. Entre o evento maior está inserido o o Première Vision Pluriel , onde são realizadas três edições anuais, em Nova York, Paris e Bruxelas, cidades que possuem forte tradição têxtil. Em Paris, o Première Vision Pluriel é composto por cinco salões: Première Vision (tecidos); Expofil (fios e fibras); Índigo (design de tecidos e estampas); ModAmont (aviamentos); e Le Cuir (couro), que conta com a presença de mais 1.500 expositores de 50 nacionalidades diferentes.

 A feira Índigo Paris 2011 tem como vitrine a melhor criatividade no setor têxtil desenvolvida em várias partes do mundo, com referências de inspiração de tendências, criatividade e tecnologias. Este ano serão mais de 180 estúdios internacionais apresentando produtos como estamparias, bordados, apliques, tranfers, vintage atendendo o mercado profissional de moda em todos os setores, como moda feminina, masculina, infantil, teen, lingerie, moda praia, roupas esportivas, acessórios, entre outros.