Meu departamento é moda

É na moda plural e democrática que este blog tem abrigo. A moda das lojas de departamento que aproxima tendências e conceitos de forma acessível e real.

Memórias de uma moda criativa e sustentável

Memórias de uma moda criativa e sustentável

 

A moda sempre foi pra mim sinônimo de criatividade. E como ser de outra maneira? Cresci em meio a linhas, agulhas e o ambiente que já praticava as noções da reciclagem e sustentabilidade impostas pelas necessidades. Tudo era transformado, ajustado, encurtado, virado pelo avesso, cerzido e customizado até completar o ciclo de utilidade máxima!

Presenciei a moda feita à mão. Era o conceito da "alta costura" na agulha e dedal da minha avó Júlia que logo fazia surgir vestidos, roupa íntima e bonecas. Sim! As minhas primeiras bonecas foram feitas por ela, com direito a olhos pretos e boca vermelha bordados, cabelo de meia de seda desfiada e roupa de floral liberty. Eram as mesmas florzinhas miudinhas que brotavam também nos meus vestidos de São João e Natal.

Recordo a caixa de linhas a que dedicava horas arrumando e desarrumando os retroses para combinar a companhia das cores até me cansar ou ficar satisfeita com o resultado. Os retalhos, os botões, os pedaços de fita guardados nas gavetas de madeira da velha máquina de costura (da marca Rainha!) que mamãe zelava como tesouro... Era a ferramenta que materializava as produções de moda para os sete filhos da casa, bem como toda coleção de cama, mesa e banho. Nela meus irmãos e eu também pisávamos fundo no pedal de ferro, acelerando fantasias deliciosas ao dirigirmos mundo afora sem que a "proprietária" do veículo desconfiasse por onde andávamos.

Vivi na infância a moda upcycling e democrática: tudo era possível e nada descartável. Muito antes de todo o conceito sustentável que se impõe como tendência, partilhei da ousadia, criatividade e percepção apurada da minha mãe que não desperdiçava coisa alguma. Hoje, ela sorri satisfeita de haver antecipado o futuro. Eu? Privilegiada por ter aprendido a costurar ideias que vestem tão bem a moda atual.

 

Passando a limpo e em branco!

Passando a limpo e em branco!

Não tem jeito! O fim de ano inspira reflexões de mais um ciclo que termina. Antes das badaladas que anunciarão um novo tempo com gosto de futuro, bate a necessidade de passar a limpo os minutos, dias, noites e as tantas semanas que deságuam nos doze meses...  O tempo - que embarcou no passado  - ganha prismas diferentes, parecendo efêmero nos piques de felicidade e eterno naqueles momentos que exigiram força para atravessar as adversidades.  

Acho que não estou equivocada. Tudo foi tão rápido nos finais de semana de descanso e viagens, nos dias de preguiça, celebrações por conquistas aguardadas pacientemente... Em contrapartida, os ponteiros do relógio emperraram nos dias de ansiedade, provações e aprovações, angústias, esperas e dores (físicas e espirituais!). Foi o mesmo tempo? Os tic-tacs marcaram incondicionalmente no mesmo ritmo? Espero que tenham sido justos!

Olhando pra trás, penso que o melhor é mirar no que vem pela frente. Essa pausa para passar a limpo, refletir e analisar a trajetória de mais um ano que finda é proveitosa para acertar os ponteiros.  É como azeitar as engrenagens, sacudir a poeira, recompor a postura, lavar a alma...  Deixa a sensação de que justifica a ideia de vestirmos branco na virada do ano. Uma tradução simbólica de estarmos prontos - de novo - como uma página sem máculas e à disposição para abrigar novas histórias, cada uma a seu tempo. E desejo que as felizes nos façam perder a noção das horas!

No novo ano o "departamento" é vestir a vida!

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